sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Objetos Montessorianos: Brinquedo e Material

Por gabrielmsalomao

Crescemos com brinquedos. Nossos maiores objetos de desejo quando éramos menores foram brinquedos. Desejamos o carrinho, a bola, a boneca, o videogame, o trenzinho, o autorama, o cavalo de pau, e depois os minigames e videogames portáteis. Nos desenvolvemos acreditando que os brinquedos eram a graça da infância. Por isso, somos adultos que acreditamos nisso. Nós temos certeza de que os brinquedos alegram a criança e dão a ela motivos para sorrir. Somos adultos que vêem na brincadeira o verdadeiro objetivo de vida da criança. Nós achamos isso porque nossas crianças riem quando brincam, e nós amamos seus sorrisos. E ainda assim, em tanto amor e tanta alegria, estamos redondamente enganados.
A criança deseja conhecer, explorar e descobrir o mundo. Deseja ser independente e livre, e busca de todos os modos acessar o mundo do adulto, que é o universo que ela tem por modelo. Assim, tenta copiar seus pais em tudo o que fazem: o computador, o carro, o fogão. Nós, percebendo esta vontade da criança, buscamos satisfazer seu desejo lhe dando computadores de mentira, carros de plástico e fogões sem fogo. É uma boa ação, que fazemos com amor, e que a criança aceita de bom grado, porque é o máximo que poderá ter. Mas perto do mundo real, perto do que há de incrível na realidade, o brinquedo é quase uma troça com a vontade da criança de conquistar sua independência.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, brinquedo é “passatempo, distração, coisa que não é séria, coisa fácil de fazer”. As conquistas da criança são difíceis, exigem esforço, trabalho, empenho e dedicação. O aprendizado da fala, do caminhar, e da execução de tarefas do dia a dia, como vestir, limpar, lavar, secar, cortar, comer, pegar, desenhar, abrir, fechar e guardar, exige uma incessante busca e repetidas tentativas por parte dos pequenos, e não se tratam, portanto, de brincadeiras, de passatempos, ou de coisas fáceis de fazer. Acima de tudo, são, para a criança, esforços e trabalhos sérios.
Montessori, quando inaugurou sua primeira sala em San Lorenzo, também achou que as crianças poderiam gostar de brinquedos, e tentou utilizá-los. No entanto, esta sala era equipada com materiais montessorianos e itens do mundo real à disposição dos pequenos. Então, nenhuma criança utilizou os brinquedos que Maria Montessori disponibilizou. Uma professora montessoriana dos Estados Unidos, Paula Polk Lillard, escreve um excelente livro, que consiste no diário que fez durante um ano sobre sua atividade em sala de aula. Neste diário conta que no início do ano utiliza uma caixa de brinquedos para que as crianças achem a escoala semelhante à sua casa, mas que uma semana depois os brinquedos são retirados, e as crianças, já atentas aos materiais presentes na sala, sequer percebem a ausência do caixote.
O brinquedo é despretencioso, é uma distração. É muito bom, mesmo para nós adultos, brincar. Brincar com os filhos, com o cachorro, em um parque de diversões ou com os amigos. Nossas brincadeiras são mais sofisticadas, e gostamos de jogar, alguns gostam de videogames, apreciamos um bom papo jogado fora em volta de uma mesa com boa comida. Tudo isso é muito agradável, como é a brincadeira, mas nada disso nos daria prazer suficiente para que o fizéssemos por anos a fio. Para isso, é necessário o esforço, nós buscamos o esforço que se justifica por um grande objetivo – isso é sonhar e perseguir um sonho.
Com a criança acontece exatamente o mesmo. A criança gosta de brincar, e brincar deve ser considerado um de seus direitos, como é um dos nossos, o lazer. No entanto, a criança também tem suas buscas e seus objetivos. Para ela, no entanto, o trabalho e o objetivo são interiores. Não há para ela, como há para nós, a construção ou criação de algo externo, mas sim a construção de si mesma.
Para essa construção interna, a criança precisa de esforço, trabalho e atividade. Este trabalho, no entanto, precisa de um apoio exterior, um material para exercitar-se. Este é o material montessoriano. Ele serve para ajudar a criança a conquistar o desenvolvimento que ela deseja perseguir. Para que seja eficiente, deve atender a três requisitos principais, que são: a manipulação da criança, o isolamento da dificuldade e o controle do erro.
Primeiro, os materiais são da criança, e não dos adultos. Eles são feitos para serem manipulados pela criança e para que ela se sinta a vontade com eles, não só para que aprenda conteúdos, mas para que desenvolva seus sentidos e sua percepção da realidade.
Em segundo lugar, os materiais, para que ajudem, devem ter objetivos muito claros, trabalhar uma dificuldade, um elemento do mundo, de cada vez. Se um material tem muitos objetivos e ensina muitas coisas de uma vez, não ensina nada. A criança está descobrindo o mundo, e de confusão lhe basta a realide. De nós, ela precisa da ajuda, do apoio e do guia. Assim, quanto mais passo-a-passo puder ser a lição e quanto mais claro estiver para nós o objetivo único da atividade, melhor será para a criança a descoberta do mundo.
O terceiro ponto importante do material montessoriano é que ele contenha em si um dispositivo de controle do erro. O jogo da memória, embora não possa ser considerado um material, tem este dispositivo. Trata-se de algo que impede a finalização da atividade se ela não estiver completamente correta. Com o jogo da memória, se um pareamento é feito errado, ainda que quase todos os segintes sejam acertados, o último dará errado. Assim, o exercício não termina. Isso garante que a criança poderá aprender sozinha, e o professor não precisará corrigir nada, e a criança se desenvolverá por si mesma e seus esforços, sem ter de encarar a figura imensa do adulto desenvolvido o tempo todo.
Por todos os motivos expostos aqui, é possível dizer que não existem brinquedos montessorianos. Existem brinquedos mais inteligentes e menos inteligentes, alguns que trabalham mais e outros que trabalham menos o controle motor, e há os que respeitam mais e os que respeitam menos as fases do desenvolvimento da criança. No entanto, se um “brinquedo” tiver isolamento de dificuldade, um só objetivo, controle do erro e servir à manipulação da criança, sendo aplicado à educação de forma organizada e segundo a fase do desenvolvimento da criança, passamos a ter um material. Caso contrário, temos um excelente e despretencioso brinquedo. É excelente, mas não é Montessori.

Implantação das Salas de Recursos Multifuncionais

“Os estudantes público alvo da educação especial devem ser matriculados nas classes comuns, em uma das etapas, níveis ou modalidade da educação básica, sendo o atendimento educacional especializado – AEE ofertado no turno oposto ao do ensino regular. As salas de recursos multifuncionais cumprem o propósito da organização de espaços, na própria escola comum, dotados de equipamentos, recursos de acessibilidade e materiais pedagógicos que auxiliam na promoção da escolarização, eliminando barreiras que impedem a plena participação dos estudantes público alvo da educação especial, com autonomia e independência, no ambiente educacional e social.”

Sala de Recursos Multifuncionais – Equipamentos e materiais pedagógicos
Critérios para a Implantação das Salas de Recursos Multifuncionais
Aos gestores dos sistemas de ensino cabe definir quanto à implantação das salas de recursos multifuncionais, o planejamento da oferta do AEE e a indicação das escolas a serem contempladas, conforme as demandas da rede, atendendo os seguintes critérios do Programa:
• A secretaria de educação a qual se vincula a escola deve ter elaborado o Plano de Ações Articuladas – PAR, registrando as demandas do sistema de ensino com base no diagnóstico da realidade educacional;
• A escola indicada deve ser da rede pública de ensino regular, conforme registro no Censo Escolar MEC/INEP (escola comum);
• A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno(s) público alvo da educação especial em classe comum, registrado(s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala Tipo I;
• A escola de ensino regular deve ter matrícula de aluno(s) cego(s) em classe comum, registrado(s) no Censo Escolar/INEP, para a implantação da sala de Tipo II;
• A escola deve ter disponibilidade de espaço físico para o funcionamento da sala e professor para atuação no AEE.
 Adesão, Cadastro e Indicação das Escolas
A Secretaria de Educação efetua a adesão, o cadastro e a indicação das escolas contempladas por meio do Programa no Sistema de Gestão Tecnológica do Ministério da Educação – SIGETEC, endereço http://sip.proinfo.mec.gov.br. Esse registro é feito conforme Manual Passo a Passo das Salas de Recursos Multifuncionais (Anexo II).
No ato de solicitação das salas, as secretarias de educação assumem o compromisso com os objetivos do Programa e realizam no SIGETEC os seguintes passos:
• Adesão e cadastro do gestor do Município (Prefeito), Estado ou Distrito Federal (Secretário de Educação);
• Indicação das escolas conforme os critérios do Programa;
• Confirmação de espaço físico para a sala;
• Confirmação de professor para atuar no AEE;
Após a confirmação da indicação da escola e da disponibilização das salas pelo Programa, as secretarias de educação devem:
• Informar às escolas sobre sua indicação;
• Monitorar a entrega e instalação dos recursos nas escolas;
• Orientar quanto à institucionalização da oferta do AEE no PPP;
• Acompanhar o funcionamento da sala conforme os objetivos;
• Validar as informações de matrícula no Censo Escolar INEP/MEC;
• Promover a assistência técnica, a manutenção e a segurança dos recursos;
• Apoiar a participação dos professores nos cursos de formação para o AEE;
• Assinar e retornar ao MEC/SEESP o Contrato de Doação dos recursos.
Composição das Salas de Recursos Multifuncionais
O Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais disponibiliza equipamentos, mobiliários, materiais didáticos e pedagógicos para a organização das salas e a oferta do atendimento educacional especializado – AEE.
As salas tipo I e de tipo II, conforme especificações técnicas dos itens (Anexos III, IV, V, VI), organizam-se conforme abaixo:
 Especificação dos itens da Sala Tipo I:
Equipamentos
Materiais Didático/Pedagógico
02 Microcomputadores
01 Material Dourado
01 Laptop
01 Esquema Corporal
01 Estabilizador
01 Bandinha Rítmica
01 Scanner
01 Memória de Numerais l
01 Impressora laser
01Tapete Alfabético Encaixado
01 Teclado com colméia
01Software Comunicação Alternativa
01 Acionador de pressão
01 Sacolão Criativo Monta Tudo
01 Mouse com entrada para acionador
01 Quebra Cabeças – seqüência lógica
01 Lupa eletrônica
01 Dominó de Associação de Idéias
Mobiliários
01 Dominó de Frases
01 Mesa redonda
01 Dominó de Animais em Libras
04 Cadeiras
01 Dominó de Frutas em Libras
01 Mesa para impressora
01 Dominó tátil
01 Armário
01 Alfabeto Braille
01 Quadro branco
01 Kit de lupas manuais
02 Mesas para computador
01 Plano inclinado – suporte para leitura
02 Cadeiras
01 Memória Tátil
Especificação dos itens da Sala Tipo II:
A sala de tipo II contém todos os recursos da sala tipo I, adicionados os recursos de acessibilidade para alunos com deficiência visual, conforme abaixo:
Equipamentos e Matérias Didático/Pedagógico
01 Impressora Braille – pequeno porte
01 Máquina de datilografia Braille
01 Reglete de Mesa
01 Punção
01 Soroban
01 Guia de Assinatura
01 Kit de Desenho Geométrico
01 Calculadora Sonora
Composição das Salas de Recursos Multifuncionais – 2011/2012
Equipamentos
2 Computadores
2 Estabilizadores
1 Impressora multifuncional
1 Roteador Wireless
1 Mouse com entrada para acionador
1 Acionador de pressão
1 Teclado com colméia
1 Lupa eletrônica
1 Notebook
Mobiliários
1 Mesa redonda
4 cadeiras para mesa redonda
2 Mesas para computador
2 Cadeiras giratórias
1 Mesa para impressora
1 Armário
1 Quadro branco
Materiais Didáticos Pedagógicos
1 Software para comunicação aumentativa e alternativa
1 Esquema corporal
1 Sacolão criativo
1 Quebra cabeças superpostos – sequência lógica
1 Bandinha rítmica
1 Material dourado
1 Tapete alfabético encaixado
1 Dominó de associação de ideias
1 Memória de numerais
1 Alfabeto móvel e sílabas
1 Caixa tátil
1 Kit de lupas manuais
1 Alfabeto Braille
1 Dominó tátil
1 Memória tátil
1 Plano inclinado – Suporte para livro
Em 2011, os quites de Atualização foram compostos por recursos de tecnologia assistiva,destinados ao atendimento educacional especializado de estudantes com deficiência visual, conforme abaixo apresentados:
Equipamentos e Materiais Didáticos Pedagógicos
1 Impressora Braille – pequeno porte
1 Scanner com voz
1 Máquina de escrever em Braille
1 Globo terrestre tátil
1 Calculadora sonora
1 Kit de desenho geométrico
2 Regletes de mesa
4 Punções
2 Soroban
2 Guias de Assinatura
1 Caixinha de números
2 Bolas com guizo
Composição dos quites de Atualização – 2012/2013
Os quites de Atualização das salas de recursos multifuncionais, em 2012/2013, são constituídos pelos seguintes itens:
Equipamentos e Materiais Didáticos Pedagógicos
2 Notebooks
1 Impressora multifuncional
1 Material dourado
1 Alfabeto móvel e sílabas
1 Caixa tátil
1 Dominó tátil
1 Memória Tátil
1 Alfabeto Braille
1 Caixinha de números
2 Bolas com guizo
1 Bola de futebol com guizo
1 Lupa eletrônica
1 Scanner com voz
1 Máquina de escrever em Braille
1 Mouse estático de esfera
1 Teclado expandido com colmeia

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17430&Itemid=817

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Estimule o desenvolvimento da criança com autismo

Autismo Infantil é uma condição que deve ser estimulada o quanto antes afim de minimizar os prejuízos sócio cognitivo
Cada pessoa é única. Ninguém é igual a ninguém. Cada ser humano tem sua personalidade, sua forma de enxergar o mundo e seu jeito de fazer as coisas. E é por isso que cada criança se desenvolve de uma forma diferente. Este é um consenso internacional e bem consolidado nas diversas comunidades científicas. Também, por este motivo, mesmo crianças com autismo devem ser estimuladas de forma individualizada. No caso do Autismo Infantil, soma-se ainda a necessidade do diagnóstico precoce e do envolvimento interdisciplinar para que esta abordagem seja o mais próximo do ideal.
As crianças com Autismo apresentam problemas significativos de desenvolvimento no que tange a várias habilidades cognitivas, como: percepção visual e auditiva, sensibilidade para perceber necessidades de compartilhamento social, atraso de linguagem para se comunicar e para entender expressões linguísticas sociais, dificuldade de aprendizagem simbólica e problemas em perceber espacialmente as referências faciais das pessoas. O Autismo infantil, por exemplo, têm dificuldade para compartilhar seus brinquedos com outros amiguinhos e apresentam pouca capacidade de fixar o olhar no interlocutor. Diante destas premissas, alguns pais não sabem como estimulá-las e de como se aproximar delas para esta tarefa. Um dos meios para que isso ocorra é ter consciência de que a comunicação com a criança não se dá apenas de forma oral mas de diversos outros caminhos. É preciso estar aberto para aprender outras formas que utilizem canais sensoriais para chegar a uma comunicação realmente efetiva.
Em artigo de revisão recente, publicado na revista Neurologia, a pesquisadora Sonia Martinis-Sanchez correlacionou os problemas sensoriais que normalmente aparecem no Autismo Infantil, com as alterações executivas e de linguagem nestas crianças e constatou que existe uma pobreza de conexões entre as áreas frontais e as áreas diretamente ligadas `a cognição social. isto sinaliza que estimular áreas frontais e outras áreas não-ligadas diretamente `a linguagem podem promover modificação nas habilidades sociais.

Vejam e entenda como podemos estimular o desenvolvimento de uma criança com Autismo Infantil:

1) Por meio da visão:
É muito importante trabalhar a fixação ocular das criança com autismo. Elas apresentam extrema dificuldade em centralizar sua visão na percepção de formas de olhos e boca dos seus cuidadores e das crianças com as quais elas brincam. Os pais se queixam frequentemente de que ” o meu filho não olha para mim ” levando a apreensão de seus entes queridos mas também gerando maiores obstáculos para a aprendizagem. O Autismo Infantil tem severas dificuldades em perceber o triângulo existente entre os olhos e a boca e sabemos que o reconhecimento de face depende da identificação deste trígono. Além disto, os movimentos dos olhos podem expressar dificuldades na regulação da atenção voluntária, descontrole na inibição de um comportamento e direcioná-lo para outro objetivo, falta de planejamento de ação e de iniciar uma resposta. Portanto, ao interagir com uma criança com Autismo Infantil, é essencial direcioná-lo para este trígono e fixar bem seus olhos nela. Sempre que for conversar com ela, abaixe-se e olhe para os olhos da criança. Procure mostrar objetos diferentes sempre colocando-os neste campo visual. Sucessivas ações neste sentido estimulará sua percepção visual e a “janela” para estimular áreas cerebrais diversas.
2) Por meio da sensibilidade táctil:
Muitos autistas apresentam grande hipersensibilidade na pele, na audição, na visão levando a crises de choro, reações de proteção ou auto-mutilação. Isto ocorre porque não há uma adequada integração destes estímulos com interpretação de estados mentais sociais (entender-se nos estímulos do mundo e entender o outro) e com os padrões simbólicos inter-humanos de percepção do além do concreto – como o significado de um estímulo doloroso e a reação subsequente a ele. A dificuldade de coesão central faz com que o autista interprete um estímulo como único e não dentro de um contexto super-valorizando as partes em detrimento do todo. Assim , estimular e trabalhar estes distúrbios em direção a auxiliar uma adequada integração dos mesmos permite ajudar esta criança a organizar e se harmonizar com a antes temida sensação. No Autismo Infantil métodos de Integração Sensorial tem sido empregados para este fim.
3) Por meio de cooperação e compartilhamento:
Ver o mundo de forma fragmentada, particularizada e desconectada de um sentido social é uma das marcas do Autismo Infantil. Isto não tem nada a ver com repúdio voluntário à interação social, mas sim a um déficit cognitivo neurológico que leva à falha no reconhecimento de estados mentais nas outras pessoas, ou seja, de interpretar – sem que se fale – o que deve estar aquela pessoa pensando ou imaginando antes que ela mesma fale abertamente. Consequentemente, assim, o autista fracassa em cooperar, compartilhar, em dar continuidade num ato social, em comunicar-se e em dialogar com reciprocidade. Um dos caminhos mais significativos é estimulá-lo por meio de tarefas e jogos sociais e meios estratégicos de compartilhamento de sequências. Atualmente, games que exigem compartilhamento para concluir um objetivo ou vencer etapas estão sendo desenvolvidos para este fim.
4) Métodos de comunicação alternativa ou por uso de figuras no Autismo Infantil
É comum que muitos autistas demorem excessivamente para começarem a falar ou em muitos casos nunca falarão…Neste contexto, é frequente se optar por formas de intervenção se utilizando de métodos de comunicação alternativa ou por meio de figuras (conhecidos mundialmente como PECS). Estes métodos se valem de estratégias alternativas para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação em crianças com Autismo. Ao contrário do que se pensava, adotá-los não inibe o aparecimento da fala. Além disto, permite que novos caminhos de comunicação sejam desenvolvidos e implementados; novas formas de expressão podem surgir; compartilhamentos – antes intransponíveis – podem aparecer e permitir novos compartilhamentos. O uso de figuras / imagens do cotidiano familiarizam a criança com códigos que podem ser utilizados para se fazer entender. Muitas das reações agressivas que presenciamos nos autistas são oriundas de suas limitações para se comunicar e a obtenção de habilidades comunicativas ( mesmo que alternativas ) podem reduzir ou fazer com que desapareçam estes comportamentos.

5) Contato frequente com outras crianças
Disponibilizar momentos sociais é fundamental para desenvolver, desde cedo, percepções e formas de interagir. No Autismo Infantil, é dispensável afirmar quão importante é esta conduta! Aniversários, passeios em ambientes sociais, confraternizações, brincar em espaços com outras crianças, escolarização precoce, participação em eventos familiares e em clubes, explorar momentos de compartilhamento e cooperação e estar, enfim, sempre predisposto a sair de casa são situações das mais diversas para estimular o cérebro de seu filho autista. Muitas vezes, buscamos tecnologias, meios vultosos, experiências mirabolantes…mas nada é tão importante quanto a colocá-lo em situações sociais.
6) Musicalização
No Autismo Infantil alguns artigos e teses acadêmicas vem evidenciando cada vez mais o papel da música como manejo eficaz para o desenvolvimento de crianças com autismo. Possui como objetivo principal “abrir um canal de comunicação” com a criança, quer seja através do olhar, do toque (nos instrumentos) ou da escuta (perceção dos estímulos sonoros). Neste momento também se gera a possibilidade de canalizar as estereotipias e/ou comportamentos inadequados, utilizando os instrumentos sonoro-musicais para re-significar ações e/ou condutas para atividades construtivas. Não se trata de inibir as estereotipias e/ou fixações, mas de canalizá-las para a auto-expressão, através dos diferentes tipos de interação. As interações podem ocorrer de diversas formas e em diversos âmbitos: interações com o instrumental, tendo o instrumento como objeto intermediário de uma relação, quer seja com o musicoterapeuta e/ou com seus pares; interação com o som/música, quer através de melodias ou ritmos conhecidos, quer através de sons novos ao seu universo sonoro, buscando oportunizar a percepção de novas fontes sonoras; interação com a atitude lúdica, tanto com o musicoterapeuta (que possibilitará a inserção dos elementos novos) como com os familiares e/ou grupo, oportunizando novos encontros e novas percepções sociais e sonoras, onde irão captar a atenção do seu bebê e desenvolver em si mesmos a confiança e naturalidade de que necessitam para se engajarem no processo interacional. Sabemos, ainda, que a musica ajuda a desenvolver funções executivas, coordenação espacial e relação de nosso cérebro com ritmos e persistência motora.
Estes são alguns caminhos que podem ser experimentados no Autismo Infantil. Permitir estímulos que criam pontes e conexões podem ser valiosos para um cérebro que tanto precisa de novas integrações!!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

História dos Surdos

Principais momentos históricos da Educação de Surdos

No século XV Não havia escolas especializadas para surdos.
Pessoas ouvintes tentaram ensinar os surdos. O atendimento escolar especial as pessoas deficientes, teve seu início no Brasil no século XIX na década de cinquenta.

A primeira escola de surdos no Brasil foi criada pela Lei nº  839, de 26 de setembro de 1857, por Dom Pedro II, no Rio de Janeiro.

 Século XVI - Giralamo Cardamo, italiano que utilizava sinas e linguagem escrita.

- Pedro Ponce de Leon, um monge espanhol utilizava além de sinais, treinamento da voz e leitura dos lábios. Nascido em data indeterminada e tendo vivido até 1584, Ponce tinha por objetivo ensinar os surdos a ler e escrever. Era herbólogo e também manipulava alguns remédios a base de ervas com o intuito de “curar” e fazer falar os surdos.

- Girolamo Cardano (1501-1576) era médico filósofo que reconhecia a habilidade do surdo para a razão, afirmava que “... a surdez e mudez não é o impedimento para aprender e o meio melhor é através da escrita... e é um crime não instruir um surdo-mudo.” Ele utilizava a língua de sinais e escrita com os surdos.


 Século XVII

-Surge a Língua de Sinais utilizada por Abade L’Epèe na educação dos surdos. Ele inaugurou a primeira escola para surdos. Em 1760, na França, o abade L´Epée (Charles Michel de L´Epée:1712 -1789) iniciou o trabalho de instrução formal com duas surdas a partir da Língua de Sinais que se falava pelas ruas de Paris utilizando para esse fim além da Língua de Sinais, a datilologia (alfabeto manual) e sinais criados artificialmente, obtendo grande êxito, sendo que a partir dessa época a metodologia por ele desenvolvida tornou-se conhecida e respeitada, assumida pelo então Instituto de Surdos e Mudos (atual Instituto Nacional de Jovens Surdos) em Paris como o caminho correto para a educação dos seus alunos.

 Século XVIII Na Europa usavam-se duas modalidades de ensino:

•Gestualismo – método alemão.
•Oralismo – método Frances. A grande maioria dos surdos defendia o Gestualismo enquanto que apenas os ouvintes apoiavam o oralismo – por exemplo, Bell, nos EUA, fazia campanha a favor deste método, entre muitos outros professores, médicos, etc.

Em resultado da evolução nos campos da tecnologia e da ciência, no século XX, particularmente no campo da surdez, a educação dos surdos passou a ser dominada pelo oralismo (que encara a surdez como algo que pode ser corrigido). No entanto, sem a cura da surdez os insucessos do oralismo começaram a ser evidenciados, pois os surdos educados neste método não conseguiam um emprego, comunicar com ouvintes desconhecidos ou manter uma conversa fluída.

1857 – Brasil

Fundada a primeira escola para surdos no Brasil pelo surdo francês Ernest Huet. Hoje esta escola tornou - se Instituto de Educação de Surdos- o INES. O dia do surdo é comemorado no dia 26 de setembro, homenagem à inauguração da primeira escola de surdos do Brasil em 1857, o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). O filho de Thomas Hopkins Gallaudet, Edward Miner Gallaudet, ajudou a iniciar a Columbia Institution for the Deaf and Blind, em Washington, DC, que mais tarde se tornou Gallaudet University. A Gallaudet University é a primeira instituição mundial de ensino superior para Surdos. Em meados do século havia mais de cento e cinquenta escolas europeias e vinte e seis nos EUA que utilizavam a língua gestual nas aulas. Neste país, um terço dos professores de surdos eram surdos.

 1880- Clímax da historia de surdos Congresso Internacional de

 Professores de Surdos – Milão Duelos polêmicos= língua de sinais x oralismo

 Temas:

 • Os sujeitos surdos ficam subjugados às práticas ouvinistas.
 • Tempo de instrução.
 • Número de alunos por classe.
 • Trabalhos mais apropriados aos surdos.
• Enfermidades, medidas curativas e preventivas. Turbulência na educação dos surdos. Surgiu o Congresso Internacional de Surdo-Mudez, em Milão – Itália, onde o método oral foi votado o mais adequado a ser adotado pelas escolas de surdos e a língua gestual foi proibida oficialmente alegando que a mesma destruía a capacidade da fala dos surdos, também argumentando que os surdos são “preguiçosos” para falar, preferindo a usar a língua de sinais.

 11 de setembro 1890

 Votação – na Europa Língua de sinais X oralismo

Oralismo X misto - Sujeitos surdos excluídos da votação. Na ocasião de votação, durante a assembleia geral realizada no congresso, todos os professores surdos foram proibidos de votar e excluídos. Dos 164 representantes presentes ouvintes, apenas 5 dos Estados Unidos votaram contra o oralismo puro. Estas recomendações foram aceites pelas delegações alemã, italiana, francesa, inglesa, sueca e belga. Só o grupo americano, liderado por Edward Miner Gallaudet (1837-1917), se opõe. Dos 255 participantes, só três eram surdos. O método oral torna-se indiscutível.

Resultados

Históricos - antes do congresso os povos surdos não tinham problemas com educação. Sujeitos surdos dominavam a arte e a escrita.

Depois do Congresso – Professores surdos perderam seus empregos e as línguas de sinais foram forçadamente substituídas por métodos orais. Qualidade da educação dos surdos diminuiu devido a predominância do oralismo puro na forma de ouvitismo. No oralismo existe exaustivo treinamento auditivo. E desenvolvimento da fala associada à leitura labial. Qualidade da educação dos surdos diminuiu devido a predominância do oralismo puro na forma de ouvitismo. No oralismo existe exaustivo treinamento auditivo. E desenvolvimento da fala associada à leitura labial.


BRASIL

Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS - é um sistema linguístico legítimo e natural, utilizado pela comunidade surda brasileira, de modalidade gestual-visual e com estrutura gramatical independente da Língua portuguesa falada no Brasil. Em 1856, o conde francês Ernest Huet desembarcou na capital fluminense com o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, deu origem à Língua Brasileira de Sinais (Libras).



A LIBRAS possibilita o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural-científico, bem como a integração no grupo social ao qual pertence. Graças à luta sistemática e persistente das pessoas com deficiência auditiva, foi reconhecida pela Nação brasileira como a Língua Oficial da Pessoa Surda, com a publicação da Lei nº 10.436, de 24/04/2002 e a Lei nº 10.098, de 19/12/2002.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Matemática Montessori - Crivo



CRIVO DE ERATÓSTENES

Conhecido popularmente nas escolas montessorianas apenas como "Crivo", foi criado por Eratóstenes para isolar números primos. Esse material foi introduzido pela linha Lubienska: não foi escolhido pela própria Maria Montessori, mas foi incorporado ao método por sua natureza. A primeira vez que tive contato com ele foi numa unidade do Kumon: passei cerca de meia hora conversando com a coordenadora do curso enquanto Vinícius, então com 4 anos, postava-se absolutamente encantado diante da caixa de madeira e suas pecinhas. A princípio você  pode se perguntar: "Mas afinal o que tem isso de tão interessante? São apenas pecinhas de 1 a 100". Mas a necessidade premente de ordem e a atração por sequências que as crianças naturalmente têm, fazem desse material um ímã: elas não resistem a manipular as pecinhas e encontrar padrões.

Seus objetivos pedagógicos, a princípio, são: trabalhar a contagem linear, sequência numérica, ordem ascendente e descendente, conceito de antecessor e sucessor, preparar para o conceito de múltiplos, e é uma atividade ótima para se trabalhar em grupo (inclusive de irmãos, para quem faz homeschooling). 

Esse material recebe vários nomes, e nos EUA é mais conhecido como "Hundred board", ou tabuleiro da centena. 


Como minha atual situação financeira não permite que eu compre nem mesmo as coisas com precinhos legais que vejo por aí (mais ou menos umas 200 coisas do tipo que vejo por mês), resolvi fazer eu mesma meu crivo. Sou um horror com habilidades manuais, sempre sofro para fazer qualquer coisa artesanal, e mesmo assim sempre sai torto ou esquisito. Mas gostei do resultado final, e isso é um incentivo para quem também não se acha muito prendada. Se você também deseja arriscar, o material que usei foi o seguinte:

- 4 jogos do Alfabeto imagens IOB como o da foto ao lado, cada um vem com 27 quadradinhos de madeira e adesivos para colar neles. Você guarda os adesivos para usar de outra maneira e aproveita os quadradinhos.
- 1 quadro verde de 40cm x 30 cm, cujo espaço interno (dentro da moldura) é de 36cm x 25,5cm

- 1 pedaço de EVA mais grossinho.
- 1 caneta marcador
- 1 estilete, 1 régua, cola de contato
Considerando que algumas dessas coisas eu já tinha em casa, meu crivo saiu pelo preço de R$ 17,00. E eu adorei fazê-lo.

Modo de fazer:
- Com a régua, meça as pecinhas de cada lado do quadro e trace linhas horizontais e verticais com a canetinha marcador sobre a base verde. Faça de modo a desenhar 100 quadrados, dez por linha.

(claro que ficou tortinho, porque eu quem fiz, mas adorei. Errei o nome do matemático do crivo na plaquinha mas já corrigi o sacrilégio)

 - Numere os quadradinhos de madeira de 1 a 100 e vá encaixando um ao lado do outro até preencher tudo. Meça o espaço que sobrou e corte, com o estilete, um pedaço de EVA grosso que preencha o restante do quadro. Cole-o sobre o espaço restante na base verde com cola de contato.

- Imprima uma página do crivo completo para controle de erro (Uma sugestão é esse SITE AQUI), de preferência cobrindo-a com papel contact transparente, e guarde as pecinhas em um estojo.


 (Escolhi esse gaveteiro porque dá para colocar as pecinhas e também os cartões com as contas escritas que eles vão usar no material de matemática)

Modo de usar:

Essa é a parte divertida, encontrar as mais diversas formas de usar. Vamos dar algumas sugestões mas você pode ser surpreendido por novas formas que a própria criança inventará para explorar esse material.

1 -  Na apresentação (parte em que o adulto intervém para mostrar o material pela primeira vez), utilize as formas mais simples: retire as pecinhas da caixa, e comece a arrumá-las sobre o quadro na sequência numérica de 1 a 100. Você não precisa fazer tudo, a criança pode continuar sozinha, assim que tiver entendido.

1a - Faça a sequencia em linhas horizontais
1b - Depois em colunas verticais.

1c - Depois  faça a sequência da primeira coluna na vertical, para posteriormente completar as linhas horizontais, fileira por fileira.
(Clique na imagem para aumentar)

Veja que lindo vídeo de apresentação do material gravado lá no Paquistão:

2 - Deixe a criança preencher o crivo de acordo com sua própria ordem mental, à sua maneira.


3 - Contagem alternada: a criança preenche o quadro com as pecinhas de 2 em 2, de 3 em 3, de 4 em 4 e assim por diante. Isso a prepara para o conceito de múltiplos que será estudado mais tarde. Ela pode registrar essa contagem com lápis colorido em um crivo impresso, cancelando os numerais que não foram colocados no crivo.


4 - Preencher com o valor que falta. Nessa versao, a criança é apresentada a uma sequência incompleta e ela vai ter que escrever ou colocar as pecinhas que faltam. NESTE SITE é possível criar diversos tipos de tarefinhas com mais ou menos peças faltando (ele calcula por porcentagem).
 

5 - Jogos para trabalhar números primos, fatores e múltiplos, quebra cabeças, e achar as figuras escondidas no crivo: uma centena de possibilidades.


6 - Para trabalhar antecessor e sucessor, essas casinhas fofas.

7 - Não ache que já é muita coisa até olhar ESTE SITE AQUI, com mais 28 sugestões de como explorar o crivo (em inglês, mas a maioria dos links sãp auto-explicativos).

Para quem usa iPad, um app com diversos padrões para explorar no crivo. Necessário saber os números em inglês (clique para abrir a página do desenvolvedor). 

Este outro parece ser mais simples, só para manipular virtualmente as pecinhas (clique para abrir).
NOTA:
Para quem ficou intrigado com o fato da plaquinha mencionar também a "Tábua de Pitágoras" adianto que é o nosso próximo post sobre o assunto. Usando o mesmo material é possível contruir essa outra tábua, e abrir ainda mais possibiliades para o aprendizado eficaz e interessante da matemática.

Atualização em Abril/2014
Achei fantástica essa ideia que pesquei no grupo de Homeschooling. Especialmente para crianças que estão começando a ter noções de adição e subtração.


 Hergg Educativos, o jogo se chama "Lógico", e a proposta é completar a sequência numérica, mas também pode ser utlizado de outras maneiras.

(clique para aumentar)