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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dificuldades de Aprendizagem: Conceitos e Abordagens

Este texto trata do tema dificuldades de aprendizagem, colocando em foco o papel do professor enquanto o profissional responsável pela educação formal do aluno X o aluno no papel de aprendiz.
  • Toda vez que um aluno apresenta baixo rendimento escolar a culpa é dele ou do professor? Eis a questão: Será uma dificuldade de aprendizagem ou dificuldade de ensinagem!
Devemos levantar várias hipóteses quando o tema é a dificuldade em aprender. Pois muitos são os casos em que o aluno não aprende por causa do professor. Sendo assim, vou comentar sobre os dois temas.


Dificuldade de Ensinagem

Mui/tos são aqueles que escolhem a profissão por amor, dinheiro ou oportunidade, muitas vezes alcançada em um concurso público. De fato aquele que escolhe por amor, tem tudo para ser um excelente profissional, seja em qual área for. Enquanto aquele, que escolhe por dinheiro, poderá muitas vezes se perder, não encontrar identificação e dái desencadear uma dificuldade em transmitir o que sabe. Como ocorre naquela famosa frase dita por alguns alunos: Sinto que meu professor(a) sabe muito sobre determinado assunto, mas não sabe explicar! Quem nunca ouviu essa frase? Aqueles que veem no concurso público a oportunidade de ter um emprego estável, ótimo pensar assim. Mas se ainda não tiver amor e desejo pela profissão dificilmente obterá com êxito o sucesso escolar. Além disso, podemos dizer que tal dificuldade ocorre por outros motivos: falta de qualificação profissional, falta de atualização, desmotivação, desinteresse pela profissão. Sendo esses motivos, muitas vezes ocasionados pela desvalorização que infelizmente a educação apresenta. De fato, quando a dificuldade de aprendizagem ocasionada ao aluno tem como ensinante o causador, devemos sinalizar o alerta. E provavelmente, não só um aluno será prejudicado e sim vários.

 
Dificuldades de Aprendizagem: 
Após descartar a dificuldade de aprendizagem pela dificuldade de ensinar do professor, buscamos outras causas.Essas poderão ser de origem: cognitiva, emocional e orgânico. E é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.
  1. Origem orgânica, pode ser bastante definidas e claras, levando- nos a supor que a área emocional e o ambiente familiar tiveram pouca ou nenhuma participação no seu aparecimento e determinação.  Seria o caso dos distúrbios de ordem neurológica ou metabólica, que implicam numa perda da capacidade de aprendizagem.
  2. Origem emocional, quando a dificuldade ocorre por causa do fator emocional, é preciso detectar o que pode ser a causa dessa dificuldade. Uma separação dos pais, mudança de escola, mudança de residência, entre outros. Será preciso trabalhar essa causa, para então a criança apresentar o sucesso escolar.
  3. Origem cognitiva, a criança nasce com distúrbio ou transtorno que dificultará o seu processo de aprendizagem. Entre eles mais comum são: Dislexia, Discalculia, Disortografia, TDAH, Disgrafia, Dislalia.


Principais Distúrbio e Transtorno que dificultam o processo de aprendizagem:

Dislexia: É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico. Se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem freqüentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e de soletração. Existe várias classificações para dislexia: dislexia adquirida, dislexia de desenvolvimento, dislexia central ,  dislexia periférica,  dislexia profunda, dislexia de superfície.

Discalculia: É um problema causado por má formação neurológica que se manifesta como uma dificuldade no aprendizado dos números. Essa dificuldade de aprendizagem não é causada por deficiência mental, má escolarização, déficits visuais ou auditivos, e não tem nenhuma ligação com níveis de QI e inteligência. Crianças portadoras de discalculia são incapazes de identificar sinais matemáticos, montar operações, classificar números, entender princípios de medida, seguir sequências, compreender conceitos matemáticos, relacionar o valor de moedas entre outros. Existe seis tipos de discalculia: a discalculia léxica, discalculia verbal, discalculia gráfica, discalculia operacional, discalculia practognóstica e discalculia ideognóstica.



Disortografia: A característica principal de um sujeito com disortografia são as confusões de letras, sílabas de palavras, e trocas ortográficas já conhecidas e trabalhadas pelo professor. Exº.:Troca de letras que se parecem sonoramente: faca/vaca, chinelo/jinelo, porta/borta; Confusão de sílabas como: encontraram/encontrarão; Adições: ventitilador; Omissões: cadeira/cadera, prato/pato; Fragmentações: en saiar, a noitecer;  Inversões: pipoca/picoca; Junções: No diaseguinte, sairei maistarde.


TDAH: Ocorre devido à uma diminuição dos neurotransmissores, dopamina e noradrenalina (substâncias químicas do cérebro que transmitem informações entre as células nervosas), fazendo com que a atividade do córtex pré-frontal seja menor. É uma disfunção neurobiológica. Essa região é a parte mais evoluída do cérebro e supervisiona as funções executivas: observa, guia, direciona e/ou inibe o comportamento, organiza,
planeja, e faz a manutenção da atenção e do auto-controle. Essa disfunção é crônica, herdada na grande maioria das vezes, daí sua presença desde a infância. Em menor grau há fatores do meio ambiente que podem estar relacionados ao TDAH (DDA):A nicotina de cigarros fumados pela mãe gestante bem como bebidas alcoólicas consumidas, podem ser causas significativas de anormalidades no desenvolvimento da região frontal do cérebro da criança em gestação. Crianças expostas ao chumbo entre 12 e 36 meses de idade pode ser outro fator.Traumatismos neonatais como hipoxia (privação de oxigênio), traumas obstétricos, rubéola intra-uterino, encefalite, meningite pós-natal, subnutrição e traumatismo craniano são fatores que também podem contribuir para o surgimento do distúrbio. Os principais sintomas são: falta de atenção, impulsividade e hiperatividade ou uma “energia nervosa”. Tipos de TDAH: desatento;  hiperativo/impulsivo e combinado.




Disgrafia: É o transtorno da escrita, de origens funcionais. Disgrafia surge nas crianças com adequado desenvolvimento emocional e afetivo, onde não existem problemas de lesão cerebral, alterações sensoriais ou história de ensino deficiente do grafismo da escrita. Existe dois tipos: como disgrafia do tipo maturativa, desenvolvida a partir de fatores próprios do desenvolvimento do indivíduo e disgrafia “provocada”, de causa pedagógica, cujo substrato é o ensino inadequado da escrita. Ambos, neste caso, reportam-se tanto ao excesso de exigência quanto à deficiente orientação no processo de aquisição do grafismo da escrita.


Dislalia: A dislalia é um distúrbio que acomete a fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. A pessoa portadora de dislalia, troca as palavras por outras similares na pronuncia, fala erroneamente as palavras, omitindo ou trocando as letras. Resumidamente, as manifestações clínicas da dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas.
O caso clássico desse distúrbio é o Cebolinha, personagem da Turma da Mônica.O tratamento da dislalia é feita com o auxilio de um fonoaudiólogo e varia de acordo com a necessidade de cada criança.



        Ao apresentar dificuldades de aprendizagem, muitas vezes o aluno, ao perceber passa a demonstrar desinteresse, desatenção, agressividade, desmotivação...etc. Tais dificuldades acarretam sofrimentos e a verdade é que nenhum aluno apresenta baixo rendimento por vontade própria.

       É preciso também considerar os efeitos emocionais que essas dificuldades acarretam,  agravando o problema. Se seu rendimento escolar for sofrível,  a criança talvez seja vista como um fracasso pelos professores ou colegas,  e até pela própria família. 
      Infelizmente, muitas dessas crianças desenvolvem uma autoestima negativa, que agrava em muito a situação, e, que poderia ser evitada, com o auxílio da família e de uma escola adequada.  É essencial que as crianças recebam apoio dos pais, pois quando sabem que têm pais que dão suporte emocional, a criança desenvolve uma base sólida e um senso de competência que a leva a um autoestima satisfatória.
     Ao ser concebida, a criança já é depositária de uma série de expectativas tanto do casal, quanto das famílias de origem dos pais.  "Quando um indivíduo nasce,  ele não vem ao mundo como uma tela em branco,  mas sim,  inserido numa história familiar que compreende várias gerações e recebe uma série de missões e projeções dos pais,  avós e família extensiva"(Bowen, in Groisman, 1996).(pag. 29)



     Os primeiros ensinantes são os pais, com eles aprendem-se as primeiras interações e ao longo do desenvolvimento, aperfeiçoa. Estas relações, já estão constituídas na criança, ao chegar à escola, que influenciará consideravelmente no poder de produção deste sujeito. É preciso uma dinâmica familiar saudável, uma relação positiva de cooperação, de alegria e motivação.Torna-se necessário orientar aluno, família e professor, para que juntos, possam buscar orientações para lidar com alunos/filhos, que apresentam dificuldades e/ou que fogem ao padrão, buscando a intervenção de um profissional especializado. O Psicopedagogo é um dos profissionais recomendados para procurar diante uma dificuldade de aprendizagem. Em alguns casos, deverá ser solicitada ajuda a mais de um profissional, temos assim a equipe multidisciplinar, esta poderá ser composta por: Neurologista ou Neuropediatra, Psicólogo, Fonoaudiólogo, Psicopedagogo.

Dicas para os pais:
Estabelecer uma relação de confiança e colaboração com a escola;
Escute mais e fale menos;
Informe aos professores sobre os progressos feitos em casa em áreas de interesse mútuo;
Estabelecer horários para estudar e realizar as tarefas de casa;
Sirva de exemplo, mostre seu interesse e entusiasmo pelos estudos;
Desenvolver estratégias de modelação, por exemplo, existe um problema para ser solucionado, pense em voz alta;
Aprenda com eles ao invés de só querer ensinar;
Valorize sempre o que o seu filho faz, mesmo que não tenha feito o que você pediu;
Disponibilizar materiais para auxiliar na aprendizagem;
É preciso conversar, informar e discutir com o seu filho sobre quaisquer observações e comentários emitidos sobre ele.

Cada pessoa é uma. Uma vida é uma história de vida. É preciso saber o aluno que se tem, como ele aprende. Se ele construiu uma coisa, não pode-se destruí-la. O psicopedagogo ajuda a promover mudanças, intervindo diante das dificuldades que a escola nos coloca, trabalhando com os equilíbrios/desequilíbrios e resgatando o desejo de aprender.

Por Karla Carvalho - Pedagoga e Psicopedaga.Próibida a reprodução deste artigo sem prévia autorização do próprietário da autora. Sob pena da Lei 9610/19-02-1989 .

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Chegada de um animal de estimação em casa melhora comportamento de crianças autistas

Estudo mostrou que pessoas com a síndrome podem se beneficiar se passarem a ter um animal a partir dos cinco anos de idade
Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS One mostrou que o contato com animais de estimação pode ter um efeito positivo no comportamento de crianças autistas. Segundo especialistas do Centro de Pesquisa do Hospital de Brest, na França, pessoas com a síndrome que passam a ter um cão ou um gato, por exemplo, depois dos cinco anos de idade podem apresentar um melhor relacionamento com outras pessoas do que os indivíduos que já nascem em lares com a presença algum bicho ou que passam a vida sem conviver com um.
No artigo, os autores explicam que, embora a terapia envolvendo contato com animais já venha sendo recomendada a crianças com autismo há algum tempo, os resultados concretos dessa abordagem nunca haviam sido estudados
Participaram da pesquisa 260 indivíduos de seis a 34 anos que tinham a síndrome. As pessoas que passaram a ter algum animal de estimação a partir dos cinco anos de idade apresentaram melhora em alguns aspectos específicos do comportamento social: elas se sentiam mais confortáveis e se mostravam mais solidárias quando se relacionavam com outras pessoas do que pacientes que nunca tiveram um animal. Os participantes que já nasceram em casas com a presença de animais também mostraram uma melhor relação social, embora menos intensa do que o outro grupo. Para os autores do estudo, esses resultados devem incentivar outras pesquisas que aprofundem os mecanismos envolvidos na relação entre pessoas com autismo e animais.

Foto: Chegada de um animal de estimação em casa melhora comportamento de crianças autistas 

Estudo mostrou que pessoas com a síndrome podem se beneficiar se passarem a ter um animal a partir dos cinco anos de idade
 Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico PLoS One mostrou que o contato com animais de estimação pode ter um efeito positivo no comportamento de crianças autistas. Segundo especialistas do Centro de Pesquisa do Hospital de Brest, na França, pessoas com a síndrome que passam a ter um cão ou um gato, por exemplo, depois dos cinco anos de idade podem apresentar um melhor relacionamento com outras pessoas do que os indivíduos que já nascem em lares com a presença algum bicho ou que passam a vida sem conviver com um.

No artigo, os autores explicam que, embora a terapia envolvendo contato com animais já venha sendo recomendada a crianças com autismo há algum tempo, os resultados concretos dessa abordagem nunca haviam sido estudados 

Participaram da pesquisa 260 indivíduos de seis a 34 anos que tinham a síndrome. As pessoas que passaram a ter algum animal de estimação a partir dos cinco anos de idade apresentaram melhora em alguns aspectos específicos do comportamento social: elas se sentiam mais confortáveis e se mostravam mais solidárias quando se relacionavam com outras pessoas do que pacientes que nunca tiveram um animal. Os participantes que já nasceram em casas com a presença de animais também mostraram uma melhor relação social, embora menos intensa do que o outro grupo. Para os autores do estudo, esses resultados devem incentivar outras pesquisas que aprofundem os mecanismos envolvidos na relação entre pessoas com autismo e animais. 

Fonte: Veja.com
Fonte: Veja.com

Construção do próprio nome

Aprender a escrever o próprio nome virou uma grande brincadeira!

Materiais necessários:

  • 1 caixa pequena para cada criança (caixa de fósforo, de medicamento, pote de margarina – tudo vazio);
  • foto de cada aluno ou eles desenham a si mesmos;
  • papel colorido;
  • apito.

 
Preparo do jogo:

Decorar as caixas com o papel colorido (para facilitar peça como tarefa). Colar a foto ou o desenho em um lado da caixa. No outro lado escrever em maiúsculo a letra inicial do nome da criança. Dentro da caixa colocam-se fichas com as letras do nome da criança. Para evitar que haja confusões quando as crianças forem manusear as fichas é recomendável escrever cada nome com uma cor diferente.

Importante: Nas primeiras vezes é importante ter em algum lugar da sala os nomes das crianças expostos para que elas possam recorrer em caso de dúvidas.

Como brincar:

Fazer pequenos grupos de crianças. Ao apito do professor cada criança irá abrir a sua caixa e montará o seu nome, e, quando o professor(a) apitar novamente, as crianças deverão colocar as fichas dentro da caixa e trocá-la com o colega que está à sua esquerda. Desta forma, as crianças irão escrever o seu próprio nome, e, também o nome dos seus colegas.

Explorar:

“Quais nomes iniciam com o mesmo som?”

“Quais nomes terminam com o mesmo som?”

“Quais nomes têm na sílaba do meio o mesmo som?

“Quais letras representam esses sons?”

“Que outras palavras vocês conhecem que começam com o som do nome de Vitor (falar o nome de uma criança da turma)?”.


Outra possibilidade: Tirar uma foto de corpo inteiro da criança, colar em uma cartolina, cortar em pedaços e colocar junto com as fichas dentro da caixa para depois as crianças montarem como um quebra-cabeça.

Boa diversão!

Fonte: Psicosol

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Discalculia

            A matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças. Muitos não compreendem os problemas que a professora passa no quadro e ficam muito tempo tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que o problema está pedindo. Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá.
Em muitos casos o problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados inadequados para a idade cognitiva da criança.
Carraher afirma que:

“Vários estudos sobre o desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como “mais”, “menos”, maior”, “menor” etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são utilizados apenas no sentido absoluto de “o que tem mais”, “o que é maior” e não no sentido relativo de “ ter mais que” ou “ser maior que”. A compreensão dessas expressões como indicando uma relação ou uma comparação entre duas coisas parece depender da aquisição da capacidade de usar da lógica que é adquirida no estágio das operações concretas”...”O problema passa então a ser algo sem sentido e a solução, ao invés de ser procurada através do uso da lógica, torna-se uma questão de adivinhação” (2002, p. 72).

No entanto, em outros casos a dificuldade pode ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça como pensam muitos pais e professores desinformados.
Em geral, a dificuldade em aprender matemática pode ter várias causas.
De acordo com Johnson e Myklebust, terapeutas de crianças com desordens e fracassos em aritmética, existem alguns distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem:

Distúrbios de memória auditiva:

- A criança não consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não conseguem guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas matemáticos.
- Problemas de reorganização auditiva: a criança reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez.



Distúrbios de leitura:

- Os dislexos e outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo. Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.
- Distúrbios de percepção visual: a criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por não conseguirem se lembrar da aparência elas têm dificuldade em realizar cálculos.

Distúrbios de escrita:

- Crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números.

Estes problemas dificultam a aprendizagem da matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos matemáticos.
A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem que causa a dificuldade na matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou auditivos, nem por má escolarização, por isso é importante não confundir a discalculia com os fatores citados acima.
O portador de discalculia comete erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem, nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.
Kocs (apud García, 1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:
Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.

Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.
Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

Na área da neuropsicologia as áreas afetadas são:

Áreas terciárias do hemisfério esquerdo que dificulta a leitura e compreensão dos problemas verbais, compreensão de conceitos matemáticos;
Lobos frontais dificultando a realização de cálculos mentais rápidos, habilidade de solução de problemas e conceitualização abstrata.
Áreas secundárias occípito-parietais esquerdos dificultando a discriminação visual de símbolos matemáticos escritos.
Lobo temporal esquerdo dificultando memória de séries, realizações matemáticas básicas.

De acordo com Johnson e Myklebust a criança com discalculia é incapaz de:

→Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
→Conservar a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas.
→Seqüenciar números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor.
Classificar números.
→Compreender os sinais +, - , ÷, ×.
→Montar operações.
→Entender os princípios de medida.
→Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas.
→Estabelecer correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras.
→Contar através dos cardinais e ordinais.

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:

1. Dificuldade na memória de trabalho;
2. Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;
3. Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefas de escrita);
4. Não há problemas fonológicos;
5. Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
6. Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
7. Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.

De acordo com o DSM-IV, o Transtorno da Matemática caracteriza-se da seguinte forma:
A capacidade matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo.
As dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade.
Em caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente a este associadas.
Diversas habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades lingüisticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos), perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras, observar sinais de operação), e matemáticas (dar seqüência a etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

Quais os comprometimentos?

✹ Organização espacial;
✹ Auto-estima;
✹ Orientação temporal;
✹ Memória;
✹ Habilidades sociais;
✹ Habilidades grafomotoras;
✹ Linguagem/leitura;
✹ Impulsividade;
✹ Inconsistência (memorização).

Ajuda do professor:

O aluno deve ter um atendimento individualizado por parte do professor que deve evitar:

Ressaltar as dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
Mostrar impaciência com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
Corrigir o aluno freqüentemente diante da turma, para não o expor;
Ignorar a criança em sua dificuldade.

Dicas para o professor:

·         Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido;
·         Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
·         Proponha jogos na sala;
·         Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis;
·         Procure usar situações concretas, nos problemas.


Ajuda do profissional:

Um psicopedagogo pode ajudar a elevar sua auto-estima valorizando suas atividades, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.
Recomenda-se pelo menos três sessões semanais.
O uso do computador é bastante útil, por se tratar de um objeto de interesse da criança.
O neurologista irá confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica.

O que ocorre com crianças que não são tratadas precocemente?

Comprometimento do desenvolvimento escolar de forma global
O aluno fica inseguro e com medo de novas situações
Baixa auto-estima devido a críticas e punições de pais e colegas
Ao crescer o adolescente / adulto com discalculia apresenta dificuldade em utilizar a matemática no seu cotidiano.


Qual a diferença? Acalculia e Discalculia.

A discalculia já foi relatada acima.
A acalculia ocorre quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos matemáticos.

Cuidado!

As crianças, devido a uma série de fatores, tendem a não gostar da matemática, achar chata, difícil. Verifique se não é uma inadaptação ao ensino da escola, ou ao professor que pode estar causando este mal estar. Se sua criança é saudável e está se desenvolvendo normalmente em outras disciplinas não se desespere, mas é importante procurar um psicopedagogo para uma avaliação.
Muitas confundem inclusive maior-menor, mais-menos, igual-diferente, acarretando erros que poderão ser melhorados com a ajuda de um professor mais atento.


Site: http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/disturbios.htm#Discalculia