sábado, 2 de maio de 2015
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Brinquedos para Crianças com Autismo
Para ajudar a criança a desenvolver suas habilidades dentro de
interações prazerosas, utilizamos objetos que auxiliem e expandam a
interação e o subsequente o aprendizado.
Não queremos que a criança apenas preste atenção ao objeto ou
brinquedo que oferecemos e então deixe de interagir e se interessar pelo
humano ao seu lado, queremos que ela continue a se interessar pelo
parceiro de atividade/brincadeira enquanto o objeto é utilizado. Optamos
por objetos que promovam a interação, a comunicação e a imaginação. E
ao apresentarmos estes objetos para as crianças, mostramos a elas
diversas formas interativas e divertidas de se brincar com eles. Por
exemplo, ao invés de oferecermos à criança um boneco a pilha que andará
pelo quarto sozinho, podemos oferecer uma atividade em que nós animamos
um boneco para que ele faça coceguinhas no corpo da criança. Em outro
momento, o animamos o mesmo boneco fazendo de conta com nossa voz que é
ele quem está cantando a música predileta da criança. Nestes momentos, o
boneco é divertido, mas você também faz parte da diversão na interação
com a criança.
Muitos dos brinquedos para crianças com autismo podem ser
confeccionados em casa e improvisados com diversos materiais, como por
exemplo caixas de papelão, panos, baldes, potes e garrafas de plástico.
Utilizando a sua imaginação, você e sua criança podem criar e recriar o
que quiserem com os objetos que estiverem disponíveis! Por exemplo, um
conjunto de blocos grandes ou de caixas de sapato pode ser utilizado
como muro do castelo ou da casa dos ‘Três Porquinhos”, pode ser uma
ponte, uma cidade, uma cama, ou quem sabe uma torre que será destruída
pelo “Lobo” ou por uma grande onda do mar. A onda do mar não precisa ser
feita de água, pode ser um lençol ou uma grande bola de fisioterapia.
As possibilidades são ilimitadas.
Brinquedos com muitos botões, luzes, sons, elétricos ou eletrônicos,
podem distrair a atenção da criança para fora da interação e estimular
comportamentos de isolamento e repetição. Se este for o caso com sua
criança, recomendamos que você restrinja em parte a utilização destes
durante suas interações com a ela. Mas utilizamos acessórios como
“tablets” e a gravação e observação de vídeos principalmente nos casos
em que eles facilitam a interação e comunicação da criança ou promovem o
aprendizado de habilidades cognitivas.
Equipamentos de esportes são frequentemente utilizados, como bolas,
cestas de basquete, gol, pinos de boliche ou pequenas raquetes. Como
mencionado na seção A criação do ambiente físico, equipamentos como
balanços, redes de balançar, cadeiras giratórias, escorregadores,
pequenas escadas, camas elásticas, pufes ou almofadas, e objetos
diversos para a criação de circuitos de obstáculos podem ser bastante
úteis para atender as necessidades sensoriais de sua criança e oferecer a
ela mais oportunidades de interação e comunicação. Um terapeuta
ocupacional poderá avaliar as necessidades sensoriais de sua criança e
sugerir estes ou outros equipamentos e acessórios para atividades que
atendam às necessidades individuais da criança.
Mesmo que sua criança ainda não esteja desenhando ou escrevendo,
mantenha papel, canetas, giz e lápis disponíveis no quarto para que você
possa desenhar figuras, escrever palavras e começar a encorajar sua
criança a fazer o mesmo.
Sugestões de brinquedos e materiais para pessoas com autismo:
- blocos grandes para montar
- bolhas de sabão
- balões para encher
- brinquedos de borracha que podem ser mordidos
- carrinhos/aviões/trens sem bateria
- bolas
- jogo de boliche de plástico
- baldes
- 2 bolas grandes de fisioterapia
- pequena cama elástica
- pequeno escorregador
- brinquedos para incentivar o uso da imaginação (ex: cesta de piquenique, louças e comidinhas de plástico, kit de médico, dinheiro de brincadeirinha, etc.).
- jogos tipo dominó, jogo da memória, quebra-cabeças, cartões para pareamentos e associações diversas, cartões com sequência de uma história
- jogos de tabuleiro (ex: jogos físicos como “Twister”; jogos com diversas etapas ligadas a uma mesma temática e um objetivo final; jogos cooperativos em que os participantes fazem alianças em direção a um objetivo; jogos onde os participantes agem como diferentes personagens ou animais; jogos com perguntas sobre fatos ou perguntas pessoais; etc.) Importante: podem ser confeccionados em casa para que se empregue os interesses únicos de cada criança ou adulto.
- livros
- letras e números de plástico ou outro material dúravel
- material para colorir, desenhar, pintar e escrever (papel, cartolina, giz de cera, canetinhas, tinta, tesoura sem ponta, fita crepe, cola, lousa, etc)
- instrumentos musicais simples (tambor, pandeiro, gaita, flauta, sino, xilofone, chocalho, violão, teclado, etc.)
- acessórios para fantasias (ex: tapa-olho de pirata, avental, máscaras de animais, capas, chapéus, óculos de plástico, etc.),
- caixa sensorial (ex: lenços, penas, luvas de borracha, escovas, objetos com formatos diferentes e tecidos com texturas variadas, massinha, etc.)
- bichos de pelúcia/personagens favoritos/bonecos
- fantoches de mão e dedo
- pintura facial
- cobertor, lençol, tecido de lycra, colchonete, almofadas
- tablet com câmera de vídeo e microfone.
Você
não precisa ter todos os brinquedos para crianças com autismo
mencionados. Escolha os brinquedos e objetos que você acha que a pessoa
com autismo poderia se interessar e que não representam nenhum perigo
para a saúde e segurança dela. Lembramos que o importante é prover
brinquedos e objetos que sejam do interesse dela. Se ela gostar de
retalhos coloridos, providencie retalhos coloridos, se gostar de
dinossauros, ofereça dinossauros, se ela gostar de mapas geográficos,
ofereça mapas para ela, etc.
Mantenha alguns dos jogos, acessórios de fantasias e objetos para
atividades de imaginação fora do quarto (ou trancados em armários no
quarto) e os traga para dentro apenas quando você for utilizá-los na
sessão para manter o ambiente organizado e não sobrecarregado de
informações.
É importante que você inclua no quarto alguns objetos que sua criança
costuma utilizar durante comportamentos de isolamento. Se ela gostar de
segurar tecidos ou papéis, tenha alguns tipos de tecidos ou papéis no
quarto. Se ela gosta de capas de DVDs, tenha algumas capas que ela possa
manusear livremente. Se ela gosta de bonecos de pelúcias e os leva para
todos os lugares como objetos de conforto, permita que ela tenha estes
objetos também no quarto. Se a criança gostar de alinhar objetos
específicos, tenha alguns destes disponíveis para que você também possa,
em alguns momentos, brincar junto com a criança modelando uma ação que
podemos fazer com o objeto sem que precisemos tirar da criança o que ela
tem em sua mão. Se a criança não mostrar-se disponível para interagir,
podemos usar o nosso próprio brinquedo para brincar em paralelo a ela, e
gradativamente tentar transformar a atividade solitária com o objeto em
uma atividade interativa que atenda às preferências sensoriais da
criança.
Por fim, é ótimo quando a criança brinca com os brinquedos da
prateleira, mas muitas crianças simplesmente não se interessam pelos
objetos e brinquedos da prateleira por um período. Tudo bem se isso
acontecer. A nossa prioridade está na interação. Se você conseguir
interações que envolvam canções, brincadeiras físicas ou que não
envolvam nenhum brinquedo, continue a estimular essas atividades e
gradativamente tente introduzir os brinquedos.
Fonte: Blog Inspirados pelo Autismo.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Atividade para ajudar a criança comer frutas:
“Pega-pega do Pica-pau acordando”
O primeiro passo então foi verificar junto aos pais do Matheus quais
eram os interesses e motivações dele atualmente. Junior e Renata
contaram que o pequeno Matheus gostava de brincadeiras de pega-pega,
cócegas e, entre inúmeros personagens, estava fascinado pelo Pica-Pau.
Durante uma sessão, o Lincoln aproveitou que o Matheus falou a
palavra Pica-Pau e rapidamente criou uma brincadeira em que ele
(Lincoln) era o Pica-Pau e que iria pegar o Matheus e fazer cócegas (ou
seja, era um pega-pega com cócegas).
Para poder expandir a brincadeira e atingir a meta (que era o Matheus
comer as frutas), o Lincoln começou a oferecer um grande suspense.
Agora o Pica-Pau dormia no chão e lentamente acordava, ainda meio fraco.
Para despertar totalmente e ficar forte, o Pica-Pau representado pelo
Lincoln comia pedaços de maçã que estavam picadas em uma tigela. À
medida que o Lincoln ia acordando e comendo os pedaços da fruta,
pequenas partes do seu corpo iam se movimentando. Primeiro as mãos e
pés, depois braços e pernas, depois tronco e o corpo todo, até correr
para pegar Matheus. Quando Lincoln pegava o Matheus, ele agora o rodava
de cabeça para baixo ou nas costas, “jogava-o” (com segurança) para o
alto, soprava sua barriga e no final oferecia pressões com o colchão em
cima dele.
O Matheus sorriu durante a maior parte da brincadeira e gargalhou em
vários momentos. Matheus observava atentamente o Lincoln, que
representou um modelo social, comendo pedaços de maçã que estavam na
tigela de forma a despertar e ficar bem forte. Matheus disse “Você comeu
a maçã”. Depois, de forma espontânea, Matheus se aproximou da tigela de
maçã e a tocou. Lincoln respondeu imediatamente à iniciativa de Matheus
comemorando e voltando a oferecer as ações motivadoras (rodar, jogar,
soprar e pressionar o Matheus levemente com o colchão).
Alguns minutos depois, e novamente de maneira espontânea, Matheus
pegou um pedaço de maçã da tigela e o colocou em sua boca! Com
entusiasmo, o Lincoln comemorou muito e ofereceu rapidamente e
animadamente as ações motivadoras de rodar, jogar, soprar e pressionar o
Matheus levemente com o colchão.
Na sequência, Matheus comeu vários pedaços de maçã, sempre nos momentos em que o Lincoln fazia uma pausa nas ações motivadoras.
Resumo:
- Atividade: Pega-pega do Pica-Pau acordando
- Metas: Expandir a alimentação, incorporando novas frutas ao cardápio
- Interesses da criança: Pega-pega, cócegas, rodar, massagem, Pica-Pau, suspense
- Ações motivadoras: Ser o Pica-Pau que acorda e corre em direção à criança para fazer cócegas, rodá-la, jogá-la para o alto e pressionar partes de deu corpo com o colchão.
Importante!
O
mesmo princípio pode ser aplicado em diversas brincadeiras. Por
exemplo, outros personagens podem ser utilizados no lugar do Pica-Pau.
Outras frutas e alimentos podem também ser usados no lugar da maçã.
Abaixo
um trecho do lindo e carinhoso relato enviado pela mãe do Matheus –
Renata – sobre a atividade. A Renata nos mostra como ela conseguiu
utilizar o mesmo princípio para estimular o Matheus a tomar suco de Uva:
“(…) dias depois, fora do quarto de brincar, fizemos a mesma coisa com um pião que ele ganhou de brinde de um aniversário. Ele queria que eu rodasse o pião e, quando ele parava de girar porque tinha ficado fraco, eu tomava um pouco de suco de uva, ficava forte e girava o objeto com mais força. O Matheus nunca havia tomado suco de uva, nem tão pouco cheirado, e começou a tomar na brincadeira! O suco tinha um leão na caixa (…) então quem tomasse ficava forte como o leão da caixinha. Sei que isso não significa que o Matheus vá tomar suco outras vezes, mas só o fato de ele ter se permitido experimentar, para mim, já é tudo! (…) O que achei interessante foi que eu estava bem tranquila na brincadeira e não necessitava que ele tomasse o suco, então ficou muito leve e gostoso de fazer. E a recompensa foi ótima, ver ele se permitir experimentar algo completamente novo. Espero que possamos ajudar de alguma forma com esse depoimento!””
Renata, Mãe do Matheus
Dois dias após redigir esse depoimento, Renata nos contou ao telefone
que Matheus já estava tomando também suco de pêssego, tudo partindo de
expansões da brincadeira.
Atividade para a ingestão de novos alimentos:
“O cavalinho que come brócolis”
Um exemplo de atividade interativa pode ser o “Passeio de Cavalinho”.
Você oferece à criança um passeio de cavalinho a carregando em suas
costas. O “cavalinho” fica cansado e com fome, precisando então comer
deliciosos brócolis para ganhar forças e voltar a cavalgar. Você faz uma
pausa, come os brócolis animadamente e volta a oferecer a ação
motivadora de carregá-la pelo quarto.
Quando a criança estiver respondendo à solicitação de forma
consistente, aumente o desafio e peça que ela pegue os brócolis do prato
e os coloque na boca do “cavalo” para ele ganhar forças e voltar a
cavalgar. Neste caso, ela apenas toca nos brócolis, mas eles vão direto
para a boca do adulto.
Exemplos de solicitações futuras para aumentar o desafio da
solicitação na atividade: a criança aproximar os brócolis de seu nariz e
do nariz dela para que vocês possam sentir o cheiro dos brócolis antes
de você comer, a criança encostar os brócolis em seu próprio lábio (dar
um beijinho no alimento) antes de oferecê-los para você comer, lamber os
brócolis, dar uma pequena mordida, e assim por diante, até que você e
ELA estejam comendo os brócolis de forma divertida para você ganhar
forças e cavalgar novamente.
Importante!
O
mesmo princípio pode ser aplicado em diversas brincadeiras, por
exemplo, a rodela da cenoura pode alimentar o fantoche de coelho faminto
antes de ele fazer cócegas na pessoa com autismo. Podemos também
investir em brincadeiras simbólicas com comidinhas de plástico, como
piqueniques dos fantoches, restaurante dos bonecos, feirinha do Barney,
etc. Cada comidinha pode levar você a oferecer uma ação motivadora
diferente para a pessoa.
Atividade para a escovação de dentes:
“Virando um leão”
2° passo: Inserir a escova de dentes na brincadeira.
A escova estará relacionada a uma ação motivadora sua (algo que você
oferece à criança para entretê-la). Por exemplo, você imita um leão
algumas vezes e a criança gosta muito de sua ação (ação motivadora).
Você continua a fazê-lo, mas adiciona a escova de dentes como motor de
sua ação. Você pode escovar os seus próprios dentes e, então, virar um
leão.
3° passo: A criança escova seus dentes (ou ajuda você de alguma forma a escovar seus dentes) e você vira um leão.
4° passo: A criança escova os próprios dentes e você vira um leão.
5° passo: Você escova os dentes da criança e você vira um leão.
Se a sua criança não se interessar em ver você virar um leão, você
pode oferecer outras ações motivadoras como virar um macaco saltitante,
cantar as músicas favoritas dela, fazer cócegas ou massagem na criança,
desenhar um trem ou avião para ela, sempre associando sua ação
motivadora ao ato de se usar a escova de dentes.
Importante!
Lembre-se de comemorar qualquer movimento da criança como uma tentativa de fazer o que você solicitou!
Você poderá ainda utilizar escovas com um visual divertido e
pastas/substâncias com sabor agradável. Escovas elétricas ajudam em
alguns casos!
Procedimentos em consultório dentário
2° passo: No consultório, promover a gradual
exposição e dessensibilização dos odores, sabores, texturas, sons e
imagens de um consultório dentário.
3° passo: No consultório, permitir que a criança
utilize objetos de conforto e/ou se beneficie da companhia de pessoas
com quem se sinta segura.
4° passo: Conhecer e brincar com o dentista durante a
visita, sem pressa para iniciar o tratamento. O dentista poderia
brincar de escovar os dentes!
Fonte: Blog Inspirados pelo Autismo.
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