quarta-feira, 22 de novembro de 2017

As vantagens da colônia de férias para o desenvolvimento infantil


Além de lúdicos e agradáveis, espaços estimulam enriquecimento intelectual, sensorial e motor das crianças.  As colônias de férias são uma opção para pais que nem sempre estão com a mesma disponibilidade para se ocupar com os filhos – sobretudo, por estarem trabalhando no período em que as crianças estão de férias escolares. “As colônias, muitas vezes, suprem a carência de companhia e ocupações para as crianças nas férias. E para os pais, elas estão ‘ocupadas’ e estimuladas’”, afirma a psicóloga Rosane Nascimento, do CPPL. 
Para Rosane, as colônias de férias são fundamentais no sentido de dar conta de uma demanda dos pais de manter um enriquecimento intelectual, sensorial e motor dos filhos. “E as crianças acabam aproveitando bastante de um espaço que é geralmente bastante lúdico e agradável e ainda propicia o encontro com outras crianças e a possibilidade de circular em ambientes diferentes, ampliando a rede de socialização”, completa a psicóloga. 

colônia de férias para o desenvolvimento infantil

A psicóloga explica que, por oferecerem uma série de atividades lúdicas estruturadas, as colônias de férias mantêm a estimulação do pensar das crianças, incentivando um pensar reflexivo e ensinando habilidades mais específicas. Além da possibilidade de circulação com outras crianças, permitindo o desenvolvimento social. “Uma criança em um ambiente de estimulação sempre terá novas aquisições e irá agregar novas habilidades ou, no mínimo, fará novos amigos”, explica Rosane Nascimento. 
A profissional dá uma recomendação aos pais que estão planejando enviar os filhos para uma colônia de férias: “As regras de convivência devem ser estendidas, quer seja de casa ou da escola, para qualquer outro espaço em que a criança venha a fazer parte”, diz. “A participação em um espaço novo traz a princípio um desafio instigante para a criança, mas também desafiador no sentido de certa experimentação das aquisições e aprendizados realizados anteriormente, fazendo certo teste de realidade para a criança”, completa. 
“Independente de ser um espaço mais formalizado ou na casa de amigos e vizinhos; do tempo de duração ou da expansão de atividades realizadas; é importante lançar a criança em novos desafios, mas sempre respeitando os interesses dela”, finaliza a psicóloga Rosane Nascimento, do CPPL.



Texto: Brava Comunicação. 

Imagens: Internet/Reprodução.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Autismo

O Autismo é um transtorno de desenvolvimento, definido por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos três anos de idade.

O autismo é caracterizado por prejuízos em três grandes áreas do desenvolvimento: comunicação, interação social e de comportamento. Existe uma ampla e complexa variabilidade de sinais presentes em cada uma das três áreas.
DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO : geralmente é a primeira característica que os pais ou médicos podem observar nas crianças. A criança pode apresentar atraso ou ausência total de linguagem falada; pode aparecer a fala de maneira pouco funcional, de forma estereotipada, por exemplo, repetições de palavras ou falas e jargões de filmes, propagandas, etc.; muitas vezes usa o adulto como forma de conseguir o que quer ( pega pela mão e leva até o objeto de desejo). Por vezes a fala ainda pode aparecer de forma adequada porém apresentando dificuldade na iniciação e na troca dialógica.
DIFICULDADE INTERAÇÃO SOCIAL: a criança apresenta dificuldade em se relacionar com crianças da mesma idade; apresenta prejuízo na comunicação não verbal, especialmente na atenção compartilhada ( dividir a atenção entre um ‘parceiro social’ e um objeto ou evento que seja de interesse tanto da criança como do parceiro); o olhar adequado, social também é deficitário, a criança tem dificuldade em estabelecer e manter o contato visual; falta interesse em compartilhar prazeres ou realizações, bem como expressões faciais adequadas e contextualizadas.
DIFICULDADES COMPORTAMENTAIS: as crianças autistas podem apresentar características como interesse restrito a objetos ou assuntos, criação de rituais em atividades da vida diária, resistência a mudanças de rotina, estereotipias verbais ou motoras, interesses sensoriais não usuais, dificuldade no uso da imaginação e no uso funcional de objetos e brinquedos.

Hoje estima-se segundo uma pesquisa americana que 1 a cada 110 crianças são diagnosticadas com autismo. As manifestações do transtorno variam muito, e independente do grau/ severidade e comprometimento da criança, o diagnostico deve ser realizado o mais rápido possível, quanto antes a criança começar todo o tratamento terapêutico melhores serão os prognósticos.o

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez

No dia 10 de novembro o Brasil celebra o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. A data é uma oportunidade de levar informação e educação sobre saúde auditiva para a população.


Hoje já se sabe que a perda auditiva é uma das deficiências mais comuns na população brasileira. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia, de cada mil crianças nascidas no país, três a cinco já nascem com deficiência auditiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas auditivos. Cerca de 20% da população sofre com problemas de zumbido. No Brasil, isso significa algo em torno de 30 milhões de pessoas. Entre as principais causas que contribuem para o aumento deste número está o volume alto dos mp3 players. De acordo com dados da OMS, pelo menos 5% foram causados pelo mau uso destes aparelhos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Otologia aproveita a data e promove a Campanha Nacional da Saúde Auditiva, a fim de informar e conscientizar sobre os riscos que o som alto dos mp3 players pode trazer à audição. De acordo com especialistas da SBO, o limite máximo permitido de exposição a sons, inclusive pela legislação brasileira, é de 85 decibéis.
A deficiência auditiva pode se desenvolver de diversas maneiras. Quando genética, é possível ser detectada nos primeiros dias de vida e ser tratada com sucesso. Por isso o Teste da Orelhinha, um exame rápido e indolor é tão importante.
Na terceira idade, devido ao envelhecimento natural dos órgãos, o problema aparece com certa frequência. O problema é mais perceptível após os 65 anos. E já foi comprovado que a perda auditiva no idoso é um dos mais importantes fatores de desagregação social. De todas as privações sensoriais, a perda auditiva é a que produz efeito mais devastador no processo de comunicação do idoso. Mas conviver com a perda auditiva vem ficando mais fácil para esse grupo, que através de tratamentos e uso de aparelhos auditivos recuperam a qualidade de vida.
Atualmente, com os elevados níveis de poluição sonora, a cultura da prevenção e a redução de exposição do ouvido a riscos desnecessários são essenciais para manter uma audição saudável.

Cuide-se!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Políticas Públicas para Educação


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A discussão acerca das políticas públicas nas últimas décadas tomou uma dimensão muito ampla, dado o avanço das condições democráticas e também ao aumento da necessidade de arranjos institucionais de governos, necessários para se fazer a governabilidade.

O termo “Políticas Públicas” significa o conjunto de disposições, medidas e procedimentos que traduzem a orientação política do Estado e regulam as atividades governamentais relacionadas às tarefas de interesse público.
Já as políticas públicas educacionais referem-se a tudo aquilo que um governo faz ou deixa de fazer em relação à Educação.

No Brasil, as políticas educacionais têm foco mais específico nas questões escolares, mas sabemos que a educação vai além do ambiente escolar. Ela abrange tudo o que se aprende socialmente: na família, na vizinhança, nos centros religiosos, na rua. Porém, a educação só é escolar quando ela for passível de delimitação por um sistema que é fruto de políticas públicas.
E sabendo que as políticas públicas são ações coletivas que visam a orientação e garantia de direitos perante a sociedade, no qual envolve compromissos e tomadas de decisões que almejam determinadas finalidades, essas ações governamentais devem ser sempre planejadas com objetivos, metas, efeitos e com efetividade.
A educação pública do Brasil é uma questão que envolve a responsabilidade e parceria do governo federal, estadual e municipal e deve compreender um esforço da sociedade e das instituições para garantir, de forma permanente, os direitos de cidadania a todos.
Para os professores, é fundamental conhecer as políticas públicas vigentes para lutar pela sua efetivação e qualidade e alcançar o objetivo almejado.
Hoje no Brasil existem algumas ações que o governo promove na educação cujo foco é incentivar o ensino de qualidade e oportunidades para todos. Às vezes, o objetivo não é alcançado, mas é primordial continuar buscando a melhoria da qualidade da nossa educação.

A seguir, você confere alguns dos programas atuais, que se referem basicamente à estruturação de objetivos setoriais e objetivos gerais. É o documento que detalha por setor a política, diretrizes, metas e medidas.
  • Programa Caminho da Escola: foi criado com o objetivo de renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais.
  • Projovem Campo – Saberes da Terra: oferece qualificação profissional e escolarização aos jovens agricultores familiares de 18 a 29 anos que não concluíram o ensino fundamental.
  • Programa Brasil Alfabetizado: voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos em todo o território nacional, com o atendimento prioritário a municípios que apresentam alta taxa de analfabetismo.
  • TOPA – Todos Pela Alfabetização: criado pelo Governo da Bahia, traz parceria com prefeituras municipais e entidades dos movimentos sociais e sindicais, universidades públicas e privadas para promover a redução do analfabetismo e da pobreza.
  • PROUNI – Programa Universidade Para Todos: é um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que concede bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de ensino superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior.
Em seguida, você conhece um pouco mais sobre os projetos, que são caracterizados pela sistematização e estabelecimento da ordem das ações que serão tomadas para a execução das propostas.
PROJETOS:
  • Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas – SPE: tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.
  • Ações Educativas Complementares: tem como objetivo proporcionar atividades de caráter pedagógico e sócio educativo, a fim de que os alunos possam desenvolver habilidades, potencializando-se como indivíduos capazes e atuantes na sociedade. As ações abrangem aproximadamente 51 escolas, atendendo em torno de 1.560 alunos do Ensino Fundamental da Rede Municipal. As atividades ocorrem semanalmente, no turno contrário, proporcionando aos alunos atividades extracurriculares onde os mesmos têm acesso a diversas linguagens artísticas e culturais.
  • EJA – Educação Para Jovens e Adultos: é uma modalidade da educação básica destinada aos jovens e adultos que não tiveram acesso ou não concluíram os estudos no ensino fundamental e no ensino médio.
Para o professor, é fundamental conhecer as políticas públicas vigentes e assim lutar pela sua efetivação e qualidade para conseguir alcançar o objetivo almejado.

Inclusão sem laudo é um direito da criança


Segundo o MEC, exigência de parecer médico para incluir uma criança com dificuldades restringe o direito universal de acesso à escola
Por: Julieta Jerusalinsky e Ricardo Lugon
Em texto de Julieta Jerusalinsky* junto ao convidado Ricardo Lugon*, trazemos debate acerca de decisão tomada pelo MEC em 2014 que representa um importante avanço ainda não conhecido por vários profissionais. Estamos em um momento de incertezas quando aos rumos da inclusão que serão tomados com a mudança de governo e do seu programa. Exemplo desse panorama conturbado é a recente ADI (ação direta de inconstitucionalidade) movida pelas escolas particulares em relação à obrigação de matricular alunos com deficiência que, felizmente, foi considerada improcedente no STF. Decidimos publicar o presente texto por considerar que conhecer os direitos conquistados no caminho da inclusão é central para defendê-los e evitar que se percam.
No ano de 2014, o MEC fez uma nota técnica que muitos profissionais do campo da infância e pais de crianças com diferentes problemas ainda desconhecem, e que é de grande valor para aqueles que se dedicam à inclusão de crianças e adolescentes na escola regular:
Trata-se da Nota Técnica 04/2014 do MEC/SECADI/DPEE, que faz cair a exigência de um laudo médico para incluir uma criança com dificuldades  na escola regular, por considerar que essa exigência restringe o direito universal de acesso à escola.
Em lugar do laudo, a nota traz uma possibilidade muito mais frutífera para a constituição da criança: a de que os clínicos que tratam dela possam realizar nota clínica e sustentar um diálogo com os educadores a fim de construir conjuntamente estratégias que ajudem cada criança que encontra barreiras para estar na escola, considerando a elaboração de um processo de ensino-aprendizagem que leve em conta  as singularidades da sua forma de aprender de modo articulado  à socialização.

A grande diferença é que, a partir da nota técnica do MEC, essa interlocução clínico-escolar pode (e deve) acontecer sem ter de partir de uma “denominação de doença” que muitas vezes tem o efeito de discriminar a criança no próprio ato que seria para a sua inclusão! O “nome da doença” registrado no laudo muitas vezes também acaba sendo o único parâmetro que muitos educadores tomam para pensar a inclusão daquela criança. Não à toa circula em muitas escolas o termo “criança laudada”, o que revela a contradição mesma desse mecanismo, que finalmente é considerado obsoleto.

Diagnósticos fechados não se aplicam bem à infância, que é por excelência um momento de constituição que depende em grande parte da aposta dos outros que cuidam da criança: pais, clínicos, educadores. Felizmente o MEC fez valer no Brasil as conquistas sociais de um movimento global de inclusão de pessoas historicamente excluídas.
Essa não é uma discussão nova no campo da Educação. Recordemos a esse respeito a afirmação de Philippe Pinel, o fundador da Psiquiatria, em 1800, após avaliar um menino que vagava como um selvagem pelos bosques da região de Aveyron, na França: “Vários meses de estadia […] não deixaram perceber nenhum progresso sensível, nenhum sinal de aperfeiçoamento e nenhum sinal que seja possível considerar presságios, nada parece anunciar um futuro feliz”.  Jean Marc-Gaspard Itard, discípulo de Pinel, discorda do mestre e aposta naquele sujeito-menino e na sua capacidade de aprender e estar com outros 
É justamente desta atitude de discordância em torno do pessimismo de um diagnóstico que nasce a Educação Especial. Esta história, muito bem retratada no filme L´enfant sauvage, de François Truffaut (1970), mostra um trabalho levado a cabo ao longo de cinco anos no qual Itard constrói. junto com Victor. um percurso de inventividade de métodos educativos.
Mais de dois séculos depois, as políticas públicas passaram por transformações marcantes e vemo-nos na obrigação de compartilhar alguns dos seus marcos.
Desde a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiências, promulgada em 2007, o conceito de deficiência sofreu mudanças importantíssimas: não se trata mais uma de falha no corpo, de um defeito, de uma falta ou lesão no órgão, no tecido, na célula da pessoa. Deficiência passa a ser o resultado da interação de sujeitos com as diversas barreiras, que absolutamente não se limitam a falta de rampas ou elevadores. Atitudes podem se configurar como barreiras, às vezes gigantescas. A presença ou ausência de um intérprete de Libras, por exemplo, pode definir o tamanho da barreira que um adolescente surdo enfrentará ao ser atendido numa Unidade de Saúde. A Convenção, e o Brasil é pleno signatário dela, também garante acesso à escolarização em todos os níveis às pessoas com deficiência. A Nota Técnica do MEC é cristalina neste sentido: a exigência de um laudo médico restringe o acesso a um direito universal garantido em Convenção Internacional e, portanto, deve configurar-se tão somente como documento acessório.
O percurso de uma criança ou adolescente com deficiência em cada escola será pensado a partir de um conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, denominado Atendimento Educacional Especializado (AEE). O seu eixo orientador é pedagógico e não clínico. Isto significa que o ponto de partida de sua construção deve ser o olhar sobre o processo singular de aprendizagem daquela criança ou adolescente. Quaisquer saberes a priori – e os diagnósticos nosológicos têm sido ostensivamente utilizados desta forma – sepultam possibilidades itardianas, nos quais o saber-aprender produz-se nos encontros entre ensinantes e aprendentes. Pedagógico, não clínico, porém não solitário. A mesma Nota Técnica convoca os professores dos AEEs a articular-se com os profissionais da área da saúde. Essa articulação deve transcender o envio de pareceres e laudos para apostar em práticas interdisciplinares e intersetoriais que produzam redes em torno das crianças com deficiências e seus cuidadores. Professores, psicólogos, médicos, fisioterapeutas e todos os diferentes profissionais envolvidos no cuidado de cada criança ou adolescente precisam dialogar e compartilhar leituras, dilemas e responsabilidades.
Os diagnósticos classificatórios, o “nome da doença”, têm lamentavelmente ocupado um lugar absurdamente central no processo de escolarização de uma infinidade de crianças e adolescentes. Não passam, entretanto, de meras redescrições em termos técnicos mais ou menos rebuscados, sem qualquer valor explicativo ou preditivo sobre como se dará a estruturação psíquica de uma criança. Quando o CID de um laudo substitui ou se agrega ao nome de uma criança (“o meu aluno autista”, como não raro ouvimos), corremos o grave risco de que a única forma de olhar para ela se dê a partir de um spoiler de destinos, de premonições pinelianas desde as quais se rouba o futuro porque, com um diagnóstico posto na condição de definir o ser, se inibe no presente da vida da criança qualquer esperança dos pais e dos professores de aposta em sua constituição.
Precisamos investir em apostas que incluam narrativas abertas e em permanente construção sobre – e com – os sujeitos aprendentes que se farão progressivamente mais presentes nas escolas. A decisão do MEC, em sua nota técnica, é mais uma passo nessa direção.
 *Ricardo Lugon é psiquiatra da infância e adolescência, mestrando em Educação pela UFRGS e consultor do Ministério da Saúde na área de Saúde Mental infanto-juvenil.
*Julieta Jerusalinsky é psicanalista, especialista em Estimulação Precoce, mestre e doutora em psicologia clínica.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Os desafios da Educação inclusiva

Os desafios da Educação inclusiva: Para fazer a inclusão de verdade e garantir a aprendizagem de todos os alunos na escola regular é preciso fortalecer a formação dos professores e criar uma boa rede de apoio entre alunos, docentes, gestores escolares, famílias e profissionais de saúde que atendem as crianças com Necessidades Educacionais Especiais

Os desafios da Educação inclusiva: foco nas redes de apoio

O esforço pela inclusão social e escolar de pessoas com necessidades especiais no Brasil é a resposta para uma situação que perpetuava a segregação dessas pessoas e cerceava o seu pleno desenvolvimento. Até o início do século 21, o sistema educacional brasileiro abrigava dois tipos de serviços: a escola regular e a escola especial – ou o aluno frequentava uma, ou a outra. Na última década, nosso sistema escolar modificou-se com a proposta inclusiva e um único tipo de escola foi adotado: a regular, que acolhe todos os alunos, apresenta meios e recursos adequados e oferece apoio àqueles que encontram barreiras para a aprendizagem.
Educação inclusiva compreende a Educação especial dentro da escola regular e transforma a escola em um espaço para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar.
Há, entretanto, necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola como, por exemplo, a utilização de recursos e apoio especializados para garantir a aprendizagem de todos os alunos.
A Educação é um direito de todos e deve ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento e do fortalecimento da personalidade. O respeito aos direitos e liberdades humanas, primeiro passo para a construção da cidadania, deve ser incentivado.
Educação inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. A opção por este tipo de Educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade. É essa variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de mundo e desenvolver oportunidades de convivência a todas as crianças.
Preservar a diversidade apresentada na escola, encontrada na realidade social, representa oportunidade para o atendimento das necessidades educacionais com ênfase nas competências, capacidades e potencialidades do educando.
Ao refletir sobre a abrangência do sentido e do significado do processo de Educação inclusiva, estamos considerando a diversidade de aprendizes e seu direito à equidade. Trata-se de equiparar oportunidades, garantindo-se a todos – inclusive às pessoas em situação de deficiência e aos de altas habilidades/superdotados, o direito de aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (CARVALHO, 2005).

2. O que o Plano Nacional de Educação diz sobre a Educação inclusiva

Isac Oliveira Souza aprendendo ler na lousa braile, na sala de recursos da EE Dom Jayme de Barros.
No Brasil, a regulamentação mais recente que norteia a organização do sistema educacional é o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020). Esse documento, entre outras metas e propostas inclusivas, estabelece a nova função da Educação especial como modalidade de ensino que perpassa todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino superior); realiza o atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos próprios do AEE e orienta os alunos e seus professores quanto à sua utilização nas turmas comuns do ensino regular.
O PNE considera público alvo da Educação especial na perspectiva da Educação inclusiva, educandos com deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e múltipla), transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades.
Se o aluno apresentar necessidade específica, decorrente de suas características ou condições, poderá requerer, além dos princípios comuns da Educação na diversidade, recursos diferenciados identificados comonecessidades educacionais especiais (NEE). O estudante poderá beneficiar-se dos apoios de caráter especializado, como o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, no caso da deficiência visual e auditiva; mediação para o desenvolvimento de estratégias de pensamento, no caso da deficiência intelectual; adaptações do material e do ambiente físico, no caso da deficiência física; estratégias diferenciadas para adaptação e regulação do comportamento, no caso do transtorno global; ampliação dos recursos educacionais e/ou aceleração de conteúdos para altas habilidades.
A Educação inclusiva tem sido um caminho importante para abranger a diversidade mediante a construção de uma escola que ofereça uma proposta ao grupo (como um todo) ao mesmo tempo em que atenda às necessidades de cada um, principalmente àqueles que correm risco de exclusão em termos de aprendizagem e participação na sala de aula.
Além de ser um direito, a Educação inclusiva é uma resposta inteligente às demandas do mundo contemporâneo. Incentiva uma pedagogia não homogeneizadora e desenvolve competências interpessoais. A sala de aula deveria espelhar a diversidade humana, não escondê-la. Claro que isso gera novas tensões e conflitos, mas também estimula as habilidades morais para a convivência democrática. O resultado final, desfocado pela miopia de alguns, é uma Educação melhor para todos. (MENDES, 2012).

3. O que significa ter um projeto pedagógico inclusivo?

As barreiras que podem impedir o acesso de alguns alunos ao ensino e à convivência estão relacionadas a diversos componentes e dimensões da escolarização. Ocorrem, também, impedimentos na ação dos educadores. Vejamos os principais pontos revelados na experiência com educadores no exercício da Educação inclusiva, para todos.
Educadores reconhecem, cada vez mais, a diversidade humana e as diferenças individuais que compõem seu grupo de alunos e se deparam com a urgência de transformar o sistema educacional e garantir um ensino de qualidade para todos os estudantes. Não basta que a escola receba a matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais, é preciso que ofereça condições para a operacionalização desse projeto pedagógico inclusivo. A inclusão deve garantir a todas as crianças e jovens o acesso à aprendizagem por meio de todas as possibilidades de desenvolvimento que a escolarização oferece.
As mudanças são imprescindíveis, dentre elas a reestruturação física, com a eliminação das barreiras arquitetônicas; a introdução de recursos e de tecnologias assistivas; a oferta de profissionais do ensino especial, ainda em número insuficiente. Além da compreensão e incorporação desses serviços na escola regular são necessárias alternativas relativas à organização, ao planejamento e à avaliação do ensino.
Outro ponto importante refere-se à formação dos professores para a inclusão. A transformação de paradigma na Educação exige professores preparados para a nova prática, de modo que possam atender também às necessidades do ensino inclusivo. O saber está sendo construído à medida que as experiências vão acumulando-se e as práticas anteriores vão sendo transformadas. Por isso, a formação continuada tem um papel fundamental na prática profissional.A inclusão de pessoas com necessidades especiais faz parte do paradigma de uma sociedade democrática, comprometida com o respeito aos cidadãos e à cidadania. Esse paradigma, na escola, apresenta-se no projeto pedagógico que norteará sua ação, explicitará sua política educacional, seu compromisso com a formação dos alunos, assim como, com ações que favoreçam a inclusão social.
É o projeto pedagógico que orienta as atividades escolares revelando a concepção da escola e as intenções da equipe de educadores. Com base no projeto pedagógico a escola organiza seu trabalho; garante apoio administrativo, técnico e científico às necessidades da Educação inclusiva; planeja suas ações; possibilita a existência de propostas curriculares diversificadas e abertas; flexibiliza seu funcionamento; atende à diversidade do alunado; estabelece redes de apoio, que proporcionam a ação de profissionais especializados, para favorecer o processo educacional.
É na sala de aula que acontece a concretização do projeto pedagógico – elaborado nos diversos níveis do sistema educacional. Vários fatores podem influenciar a dinâmica da sala de aula e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem. Planejamentos que contemplem regulações organizativas diversas, com possibilidades de adequações ou flexibilizações têm sido uma das alternativas mais discutidas como opção para o rompimento com estratégias e práticas limitadas e limitantes.

4. Flexibilização e adaptação curricular em favor da aprendizagem

Benjamin Saidon, aluno com síndrome de Down da Nova Escola Judaica Bialik Renascença, em São Paulo.
Para estruturar as flexibilizações na escola inclusiva é preciso que se reflita sobre os possíveis ajustes relativos à organização didática. Qualquer adaptação não poderá constituir um plano paralelo, segregado ou excludente. As flexibilizações e/ou adequações da prática pedagógica deverão estar a serviço de uma única premissa: diferenciar os meios para igualar os direitos, principalmente o direito à participação, ao convívio.
O desafio, agora, é avançar para uma maior valorização da diversidade sem ignorar o comum entre os seres humanos. Destacar muito o que nos diferencia pode conduzir à intolerância, à exclusão ou a posturas fundamentalistas que limitem o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, ou, que justifiquem, por exemplo, a elaboração de currículos paralelos para as diferentes culturas, ou para pessoas com necessidades educacionais especiais. (BLANCO, 2009).
Além disso, para que o projeto inclusivo seja colocado em ação, há necessidade de uma atitude positiva e disponibilidade do professor para que ele possa criar uma atmosfera acolhedora na classe. A sala de aula afirma ou nega o sucesso ou a eficácia da inclusão escolar, mas isso não quer dizer que a responsabilidade seja só do professor. O professor não pode estar sozinho, deverá ter uma rede de apoio, na escola e fora dela, para viabilizar o processo inclusivo.
Para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede contínua de apoio deveria ser providenciada, com variação desde a ajuda mínima na classe regular até programas adicionais de apoio à aprendizagem dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à provisão de assistência dada por professores especializados e pessoal de apoio externo. (Declaração de Salamanca, 1994).

5. Como formar redes de apoio à Educação inclusiva

Os sistemas de apoio começam na própria escola, na equipe e na gestão escolar. O aluno com necessidades especiais não é visto como responsabilidade unicamente do professor, mas de todos os participantes do processo educacional. A direção e a coordenação pedagógica devem organizar momentos para que os professores possam manifestar suas dúvidas e angústias. Ao legitimar as necessidades dos docentes, a equipe gestora pode organizar espaços para o acompanhamento dos alunos; compartilhar entre a equipe os relatos das condições de aprendizagens, das situações da sala de aula e discutir estratégias ou possibilidades para o enfrentamento dos desafios. Essas ações produzem assuntos para estudo e pesquisa que colaboram para a formação continuada dos educadores.
A família compõe a rede de apoio como a instituição primeira e significativamente importante para a escolarização dos alunos. É a fonte de informações para o professor sobre as necessidades específicas da criança. É essencial que se estabeleça uma relação de confiança e cooperação entre a escola e a família, pois esse vínculo favorecerá o desenvolvimento da criança.
Profissionais da área de saúde que trabalham com o aluno, como fisioterapeutas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos, também compõem a rede. Esses profissionais poderão esclarecer as necessidades de crianças e jovens e sugerir, ao professor, alternativas para o atendimento dessas necessidades.
Na perspectiva da Educação inclusiva, os apoios centrais reúnem os serviços da Educação especial e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). São esses os novos recursos que precisam ser incorporados à escola. O aluno tem direito de frequentar o AEE no período oposto às aulas. O sistema público tem organizado salas multifuncionais ou salas de apoio, na própria escola ou em instituições conveniadas, com o objetivo de oferecer recursos de acessibilidade e estratégias para eliminar as barreiras, favorecendo a plena participação social e o desenvolvimento da aprendizagem.
Art. 1º. Para a implementação do Decreto no 6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade na Educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos transportes e dos demais serviços. (CNB/CNE, 2009).
Ainda que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido incorporada e revela ações que podem ser consideradas práticas para apoiar o professor. Ter um segundo professor na sala de aula, é um exemplo, seja presente durante todas as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas modalidades: intérprete, apoio, monitor ou auxiliar. Esse professor poderá possuir formação específica, básica ou poderá ser um estagiário. A participação do professor do AEE poderá ocorrer na elaboração do planejamento e no suporte quanto à compreensão das condições de aprendizagem dos alunos, como forma de auxiliar a equipe pedagógica.
Outra atividade evidenciada pela prática inclusiva para favorecer o educador é a adoção da práxis – no ensino, nas interações, no espaço e no tempo – que relacione os diferentes conteúdos às diversas atividades presentes no trabalho pedagógico. São esses procedimentos que irão promover aos alunos a possibilidade de reorganização do conhecimento, à medida que são respeitados os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.
Vale ressaltar que a Educação inclusiva, como prática em construção, está em fase de implementação. São muitos os desafios a serem enfrentados, mas as iniciativas e as alternativas realizadas pelos educadores são fundamentais. As experiências, agora, centralizam os esforços para além da convivência, para as possibilidades de participação e de aprendizagem efetiva de todos os alunos.
Fonte: SóEscola

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Painel de números

Essa ideia eu achei muito legal. Vi em algum lugar na net, mas não lembro pra poder colocar os créditos.

Bem, trata-se de um painel com mãozinhas onde é feita a contagem através dos dedinhos.
Materiais necessários:

2 folhas de EVA da mesma cor para o fundo;
1 folha de EVA para os bolsinhos;
Retalhos de EVA para os 15 círculos (usei como molde um CD)
15 palitos de picolé
1 folha de EVA com a cor de sua preferência para recortar as mãozinhas;
Cola tudo ou  cola quente;
* Eu usei papelão no fundo para deixar o cartaz  mais forme.