terça-feira, 7 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
CAUSAS MAIS FREQUENTES DAS DIFICULDADES NA ESCRITA
Fatores educacionais
- Ensino prematuro da escrita: para aprender a escrever as crianças
precisam apresentar maturidade no desenvolvimento das competências
necessárias para esta aprendizagem.
- Outra causa frequente do
surgimento de dificuldades na escrita é um ensino inadequado. A escrita é
tão natural como o brincar. No entanto, muitas crianças se frustram ao
receber correções frequentes e deixam de escrever. Muitos professores
preocupam-se em receber folhas limpas com uma escrita impecável. As
crianças que começam a escrever, na sua grande maioria, estão mais
preocupadas em comunicar suas ideias e expressar seus sentimentos. Os
professores devem saber o quão importante é motivá-las para que se
expressem tendo o cuidado de não frustrá-las com expectativas exageradas
de ordem e limpeza.
- Um ritmo inadequado do ensino da escrita é
outro fator que pode causar dificuldades: quando ensinamos num ritmo
muito acelerado, sem os esforços necessários. Os professores se veem
pressionados a cumprir um programa e, às vezes, não dão importância
necessária aos passos prévios imprescindíveis para alcançar uma
aprendizagem escritora de sucesso. É importante dedicar tempo e atenção
adequada, a correta apreensão do lápis, uma correta posição do papel,
etc. Se não forem ensinadas no momento adequado, serão aprendidas de
maneira incorreta e sua correção se torna muito difícil no futuro.
- Classes grandes nos primeiros anos da escola não colaboram para uma adequada aprendizagem da escrita.
- Um fato importante é a relação professor aluno na aprendizagem. Ao
escrever, a criança coloca no papel ideias e sentimentos próprios e
assim esta atividade tem um grande componente emocional. Se o professor é
demasiadamente exigente, escrever transforma-se numa atividade difícil e frustrante para a criança; é estabelecida uma relação negativa com o
professor e desenvolvida antipatia para com o ato de escrever.
-
Há crianças com dificuldades específicas de aprendizagem que necessitam
de apoio para desenvolver estratégias diferentes que compensem sua
dificuldade. Crianças com com dificuldades na linguagem expressiva têm
dificuldade para encontrar as palavras apropriadas ou para produzir uma
história unificada, para o que necessitam do apoio da professora.
- No que se refere ao lar, também pode ser determinantes no surgimento
de certos bloqueios ou dificuldades a escrita. Os pais, da mesma forma
que os professores, podem frustrar a motivação da criança para
expressar-se por meio da escrita ao serem demasiadamente exigentes
quanto à ordem e limpeza, tendo expectativas demasiadamente altas em
relação ás possibilidades da criança nesse momento, tirando dela o
frescor e espontaneidade desta atividade que deveria ser prazerosa para
as crianças.
Fatores emocionais
Assim como em outras
aprendizagens os aspectos emocionais influenciam diretamente o
desempenho da criança. Uma criança que não se sinta bem, que se encontre
perturbada por situações emocionais que a incomodem, dificilmente poderá
se concentrar para suas criações escritas.
Crianças que não
atingiram uma independência adequada não são capazes de expressar suas
próprias demandas, já que ainda estão ligadas aos seus pais.
Existem crianças tímidas ou pouco comunicativas que apesar de ter uma
grande riqueza de ideias têm medo de expressá-las, seja verbalmente ou
no papel. Existem casos de crianças que demonstra, tanto em seus
desenhos como nas suas produções escritas, sua agressividade ou
frustração. A escrita em muitos casos é o meio pelo qual o professor
pode conhecer muitos dos aspectos da vida da criança.
Livro Transtorno de Aprendizagem e Autismo.
sábado, 4 de abril de 2015
Escola: 9 habilidades que seu filho aprende – muito além de ler e escrever
Aprender a escrever e a contar é só uma parte das habilidades que seu filho vai desenvolver na escola. É no dia a dia que a rica convivência com os colegas e os educadores irá colaborar na formação da personalidade dele desde o berçário
Dos primeiros dias no berçário à chegada ao ensino fundamental, a escola traça uma série de expectativas de aprendizagem em eixos como identidade e autonomia, linguagem oral e escrita, matemática, natureza e sociedade, música e movimento. Isso é o que está no currículo e nas primeiras conversas com a coordenadora pedagógica. Mas, no dia a dia – ainda bem! –, acontece muito mais. Enquanto absorvem conteúdos formais, as crianças desenvolvem saberes sociais preciosos com impactos pouco palpáveis em notas ou avaliações de desempenho. Porém, farão toda a diferença no modo de lidarem com o mundo. “Habilidades e competências como respeitar o outro, saber ouvir, concentrar-se e dividir objetos e o espaço ao redor têm relação direta com a alfabetização e todas as aprendizagens posteriores”, diz Tania Zagury, filósofa, mestre em Educação, autora deFilhos, Manual de Instruções (Ed. Record) e colunista do site CRESCER. Ou seja, são ganhos, digamos, paralelos, que vão influenciar inclusive nas aquisições de novos conhecimentos. Por mais que seu filho tenha amigos no condomínio, no clube ou no parque, a escola tem algo que outros lugares não têm: “A convivência com o mesmo grupo e com uma frequência maior (são, no mínimo, 200 dias letivos), por horas seguidas, realizando atividades diversas”, afirma Liamara Montagner Salamani, coordenadora de educação infantil do Colégio Santo Américo (SP). Sem dúvida alguma, serão mais do que aprendizados: cada ensinamento vai se transformar em marcantes lembranças. Tanto para o seu filho quanto para você. Assim como a transmissão do conteúdo, é extremamente importante que essas lições também sejam acompanhadas bem de perto pelos pais. Eis, a seguir, uma lista de nove habilidades que seu filho vai aprender na sala de aula que não estão no currículo.
1 – Quem espera… tem que ser paciente
Essa é a primeiríssima coisa que um bebê ou uma criança pequena experimenta quando chega à escola, ao contrário do que acontece em casa, em que certamente não faltam candidatos para atendê-la ao primeiro chamado. “Por vezes, um bebê tem de ver o outro tomar mamadeira no colo enquanto ele mesmo também quer um colinho. Lida-se com uma porção de experiências boas e também com frustrações – como se fosse um mundo real em pequena escala”, diz Pnina Eva Friedlander, coordenadora do berçário e dos grupos integrados da Escola Carandá Vivavida (SP). O mesmo acontece, de cara, com brinquedos e afins: na maioria das vezes, o objeto desejado estará longe ou na posse de um colega e ele terá de ser paciente até chegar a vez dele, além de aprender a pedir com jeitinho, a agradecer…
Essa é a primeiríssima coisa que um bebê ou uma criança pequena experimenta quando chega à escola, ao contrário do que acontece em casa, em que certamente não faltam candidatos para atendê-la ao primeiro chamado. “Por vezes, um bebê tem de ver o outro tomar mamadeira no colo enquanto ele mesmo também quer um colinho. Lida-se com uma porção de experiências boas e também com frustrações – como se fosse um mundo real em pequena escala”, diz Pnina Eva Friedlander, coordenadora do berçário e dos grupos integrados da Escola Carandá Vivavida (SP). O mesmo acontece, de cara, com brinquedos e afins: na maioria das vezes, o objeto desejado estará longe ou na posse de um colega e ele terá de ser paciente até chegar a vez dele, além de aprender a pedir com jeitinho, a agradecer…
2 – Existem diversos tipos de carinho
A convivência com os professores e demais funcionários da escola revela para a criança uma relação diferente daquela que tem com pais, avós, irmãos, tios e primos. “Os profissionais da educação são afetivos e firmes. Nossa função é trabalhar com limites. A família, embora também faça isso, em geral é mais permissiva”, afirma Eliana de Barros Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP). Com o passar do tempo, as crianças vão se encantando por esse tratamento e pelos saberes diferentes dos professores e cuidadores e passam a se “apaixonar” por eles. Não raro, imitam o jeito de falar e brincar, provando quanto os gestos são observados e assimilados. Claro que o efeito será ainda melhor se os pais validarem e valorizarem o convívio.
A convivência com os professores e demais funcionários da escola revela para a criança uma relação diferente daquela que tem com pais, avós, irmãos, tios e primos. “Os profissionais da educação são afetivos e firmes. Nossa função é trabalhar com limites. A família, embora também faça isso, em geral é mais permissiva”, afirma Eliana de Barros Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP). Com o passar do tempo, as crianças vão se encantando por esse tratamento e pelos saberes diferentes dos professores e cuidadores e passam a se “apaixonar” por eles. Não raro, imitam o jeito de falar e brincar, provando quanto os gestos são observados e assimilados. Claro que o efeito será ainda melhor se os pais validarem e valorizarem o convívio.
3 – Ser flexível é preciso
Por mais que resista ou espere o lugar e momento ideais, seu filho vai acabar se entregando ao sono no meio do barulho. As sonecas vão acontecer com menos exigências, assim como a hora de comer. Ponto para a versatilidade: vai ser mais difícil a criança estranhar um almoço em um restaurante, um cochilo em um parque ou uma noite em um hotel. “Aqui, por exemplo, as crianças dormem em berços e em colchonetes no chão, lancham ora na mesa do refeitório, ora no banquinho do pátio ou até mesmo em piqueniques”, diz a pedagoga Pnina. Isso não quer dizer falta de rotina mas, sim, um jeito de treinar flexibilidade.
Por mais que resista ou espere o lugar e momento ideais, seu filho vai acabar se entregando ao sono no meio do barulho. As sonecas vão acontecer com menos exigências, assim como a hora de comer. Ponto para a versatilidade: vai ser mais difícil a criança estranhar um almoço em um restaurante, um cochilo em um parque ou uma noite em um hotel. “Aqui, por exemplo, as crianças dormem em berços e em colchonetes no chão, lancham ora na mesa do refeitório, ora no banquinho do pátio ou até mesmo em piqueniques”, diz a pedagoga Pnina. Isso não quer dizer falta de rotina mas, sim, um jeito de treinar flexibilidade.
4 – O diferente é normal
Desde o berçário, as crianças já assistem e vivem seus desenvolvimentos diferentes, embora tenham a mesma idade e possibilidades. Só que, para ela, as diferenças – seja por raça, cor, classe social, presença ou não de alguma deficiência, religião ou costumes familiares – não as impede que brinquem e aprendam juntas. “É a sociedade que marca o dito ‘diferente’, não a criança. Ela tem a tendência de ver e aceitar o outro como ele é. Por meio da observação, começará a assimilar modelos morais e éticos, o que faz da intervenção e da mediação do professor ações importantíssimas”, diz Liamara, do Santo Américo. E tudo está sob o olhar delas. Analisam não apenas a convivência entre as crianças, mas entre os funcionários e, claro, a relação da família com a escola. E quanto mais natural for, mais “normal” ela poderá encarar.
Desde o berçário, as crianças já assistem e vivem seus desenvolvimentos diferentes, embora tenham a mesma idade e possibilidades. Só que, para ela, as diferenças – seja por raça, cor, classe social, presença ou não de alguma deficiência, religião ou costumes familiares – não as impede que brinquem e aprendam juntas. “É a sociedade que marca o dito ‘diferente’, não a criança. Ela tem a tendência de ver e aceitar o outro como ele é. Por meio da observação, começará a assimilar modelos morais e éticos, o que faz da intervenção e da mediação do professor ações importantíssimas”, diz Liamara, do Santo Américo. E tudo está sob o olhar delas. Analisam não apenas a convivência entre as crianças, mas entre os funcionários e, claro, a relação da família com a escola. E quanto mais natural for, mais “normal” ela poderá encarar.
5 – Sem medo do novo
Cultivar hortas na escola tem sido uma ótima forma de colher hábitos saudáveis. Criança ama entender o “como se faz”. As formas são várias e que tal um canteiro em que as crianças não apenas vejam uma variedade de cores, formas e aromas, mas também se apegam à atividade como uma brincadeira? E, de quebra, vão experimentar algo novo sem muito alarde ou a “torcida” exagerada, mas em companhia dos amigos. “Tomar lanche e almoçar em grupo é muito positivo. Afinal, se o outro está comendo, experimentando algo novo ou trocando merenda, eu também vou querer!”, diz a filósofa Tania. “No momento em que estão descobrindo o mundo, é particularmente interessante promover atividades que envolvam pesquisa, ludicidade e linguagem. Isso acontece, sim, ao semear, plantar, observar o crescimento de um vegetal, colhê-lo e usá-lo para preparar uma receita”, diz Teresa D’Angelo Santos, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Vital Brasil (SP).
Cultivar hortas na escola tem sido uma ótima forma de colher hábitos saudáveis. Criança ama entender o “como se faz”. As formas são várias e que tal um canteiro em que as crianças não apenas vejam uma variedade de cores, formas e aromas, mas também se apegam à atividade como uma brincadeira? E, de quebra, vão experimentar algo novo sem muito alarde ou a “torcida” exagerada, mas em companhia dos amigos. “Tomar lanche e almoçar em grupo é muito positivo. Afinal, se o outro está comendo, experimentando algo novo ou trocando merenda, eu também vou querer!”, diz a filósofa Tania. “No momento em que estão descobrindo o mundo, é particularmente interessante promover atividades que envolvam pesquisa, ludicidade e linguagem. Isso acontece, sim, ao semear, plantar, observar o crescimento de um vegetal, colhê-lo e usá-lo para preparar uma receita”, diz Teresa D’Angelo Santos, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Vital Brasil (SP).
6 – Medalhas não importam
Na educação infantil, o ponto de partida de atividades e esportes coletivos é começar a trabalhar o conceito de compartilhar. “Se a criança não partilha sequer um objeto, não entenderá seu papel dentro de uma equipe”, diz Wallace Oliveira Marante, professor de Educação Física do Colégio Santa Maria (SP). Enquanto aprendem sobre tal papel, as turmas percebem que todos cumprem funções indispensáveis, ainda que só alguns marquem o gol no futebol. Recuperar a posse de bola, por exemplo, é tão importante quanto a finalização da jogada. “Outra questão que entra em cena é a de que o adversário é um parceiro sem o qual o jogo sequer aconteceria – não um rival a ser derrotado a todo preço”, explica Marante. Pode parecer óbvio, mas é fundamental a criança aprender os limites da competitividade (pense como anda difícil o trabalho em equipe no “mundos dos adultos”). E não para por aí: a cada final de jogo, é hora de refletir, com a ajuda do professor, sobre os motivos que levaram à vitoria ou à derrota, ir desenvolvendo um jeito de lidar com a frustração e aprender a traçar novas estratégias para oportunidades futuras.
Na educação infantil, o ponto de partida de atividades e esportes coletivos é começar a trabalhar o conceito de compartilhar. “Se a criança não partilha sequer um objeto, não entenderá seu papel dentro de uma equipe”, diz Wallace Oliveira Marante, professor de Educação Física do Colégio Santa Maria (SP). Enquanto aprendem sobre tal papel, as turmas percebem que todos cumprem funções indispensáveis, ainda que só alguns marquem o gol no futebol. Recuperar a posse de bola, por exemplo, é tão importante quanto a finalização da jogada. “Outra questão que entra em cena é a de que o adversário é um parceiro sem o qual o jogo sequer aconteceria – não um rival a ser derrotado a todo preço”, explica Marante. Pode parecer óbvio, mas é fundamental a criança aprender os limites da competitividade (pense como anda difícil o trabalho em equipe no “mundos dos adultos”). E não para por aí: a cada final de jogo, é hora de refletir, com a ajuda do professor, sobre os motivos que levaram à vitoria ou à derrota, ir desenvolvendo um jeito de lidar com a frustração e aprender a traçar novas estratégias para oportunidades futuras.
7 – Brincadeira tem limite
Basta ser um grupo de crianças para a coisa sair do controle vez ou outra. Isso não tem o menor problema, mas se um tapa ou uma ofensa escapar, as consequências chegam em seguida. Depois de uma briga ou discussão, o primeiro reflexo é colocar a culpa no outro, e aí é hora de intervir. A mediação do professor pode demonstrar algo complicado de se ensinar, mas gostoso de se viver: a compaixão. Com o manjado – mas sempre infalível – exercício de se colocar no lugar do colega, a criança começa a perceber as implicações de seus gestos. “Ajuda a entender que a brincadeira existe somente enquanto todo mundo se diverte. Se alguém sai machucado ou triste, dependendo da intensidade da mãozinha no corpo do outro ou da força das palavras, é hora de parar e conversar”, diz Teresa Santos.
Basta ser um grupo de crianças para a coisa sair do controle vez ou outra. Isso não tem o menor problema, mas se um tapa ou uma ofensa escapar, as consequências chegam em seguida. Depois de uma briga ou discussão, o primeiro reflexo é colocar a culpa no outro, e aí é hora de intervir. A mediação do professor pode demonstrar algo complicado de se ensinar, mas gostoso de se viver: a compaixão. Com o manjado – mas sempre infalível – exercício de se colocar no lugar do colega, a criança começa a perceber as implicações de seus gestos. “Ajuda a entender que a brincadeira existe somente enquanto todo mundo se diverte. Se alguém sai machucado ou triste, dependendo da intensidade da mãozinha no corpo do outro ou da força das palavras, é hora de parar e conversar”, diz Teresa Santos.
8 – Dois ouvidos, uma boca
Criança ama contar histórias, principalmente às segundas-feiras para os professores. Difícil é contê-las todas querendo falar ao mesmo tempo. E isso é excelente! Tecer uma narrativa a um amigo ou professor, contando algo que se viveu, pensou, sonhou ou sentiu faz parte do desenvolvimento humano e é um passo enorme para entender o outro e se fazer ouvir. “Esse é um dispositivo que as crianças têm – e nós, adultos, também, apesar de esquecermos de vez em quando – para organizar o meio em que vivem e lidar com seus fantasmas”, diz Giuliano Tierno, educador e especialista em contação de histórias. Ao nomear e escutar experiências e dar sentido a elas, a criança percebe que as vivências (mesmo as ruins, como os medos) não são exclusivamente dela.
Criança ama contar histórias, principalmente às segundas-feiras para os professores. Difícil é contê-las todas querendo falar ao mesmo tempo. E isso é excelente! Tecer uma narrativa a um amigo ou professor, contando algo que se viveu, pensou, sonhou ou sentiu faz parte do desenvolvimento humano e é um passo enorme para entender o outro e se fazer ouvir. “Esse é um dispositivo que as crianças têm – e nós, adultos, também, apesar de esquecermos de vez em quando – para organizar o meio em que vivem e lidar com seus fantasmas”, diz Giuliano Tierno, educador e especialista em contação de histórias. Ao nomear e escutar experiências e dar sentido a elas, a criança percebe que as vivências (mesmo as ruins, como os medos) não são exclusivamente dela.
9 – Somos todos um só
No cuidado com si mesma, com o outro e com o ambiente ao redor, a criança começa a demonstrar preocupações singelas, mas carregadas de intencionalidade. “Se um amigo cai e rala o joelho, o outro corre a perguntar: ‘Quer ajuda para por gelo?’”, conta Silvana Pinheiro, professora do Colégio AB Sabin (SP). Oferecer um pedaço do lanche, tomar partido diante de uma injustiça ou simplesmente dar um abraço são pequenas gentilezas que só aparecem no dia a dia, sem planejamento da escola ou desejo dos pais. “De 1 ano e meio a 2, a criança começa a demonstrar aquilo que chamamos, no homem, de ‘sentido gregário de vida’, que está relacionado à capacidade de pertencer a um grupo. Então, ela vê outro bebê passeando e começa a interagir, como se dissesse: ‘Opa, esse é dos meus!’. E entre as grandes aprendizagens da fase da educação infantil estão justamente a alegria e a vontade de permanecer junto de forma prazerosa e civilizada”, diz a filósofa Tânia. Quer um motivo melhor que esse?
No cuidado com si mesma, com o outro e com o ambiente ao redor, a criança começa a demonstrar preocupações singelas, mas carregadas de intencionalidade. “Se um amigo cai e rala o joelho, o outro corre a perguntar: ‘Quer ajuda para por gelo?’”, conta Silvana Pinheiro, professora do Colégio AB Sabin (SP). Oferecer um pedaço do lanche, tomar partido diante de uma injustiça ou simplesmente dar um abraço são pequenas gentilezas que só aparecem no dia a dia, sem planejamento da escola ou desejo dos pais. “De 1 ano e meio a 2, a criança começa a demonstrar aquilo que chamamos, no homem, de ‘sentido gregário de vida’, que está relacionado à capacidade de pertencer a um grupo. Então, ela vê outro bebê passeando e começa a interagir, como se dissesse: ‘Opa, esse é dos meus!’. E entre as grandes aprendizagens da fase da educação infantil estão justamente a alegria e a vontade de permanecer junto de forma prazerosa e civilizada”, diz a filósofa Tânia. Quer um motivo melhor que esse?
sexta-feira, 3 de abril de 2015
ATIVIDADES PARA: dispraxia, discalculia, dislexia e disgrafia (letra feia)
Atividades para Dispraxia
Estas atividades servem para melhorar o equilíbrio e a coordenação, mas
também o processamento visual, a distância e a velocidade, a lógica e
sequência, ajudando assim nas dificuldades sentidas pelos dispráxicos.
Estes exemplos são simples de seguir, no entanto algumas crianças
enfrentarão algumas dificuldades na sua realização. Nadar ou andar de
bicicleta são complementos muito bons.
Estes exercícios deverão ser realizados durante 15 a 20 minutos por dia:
Balançar
Ficar de pé só numa perna, que inicialmente deverá ser a dominante e
só depois passar para a outra. Enquanto fica de pé contar quanto tempo a
criança aguenta esta posição, ficando de olhos abertos. De seguida
fazer o mesmo exercício, mas de olhos fechados. A criança poderá sentir
alguma dificuldade ao fazer o exercício com os olhos fechados.
Saltar
Começando novamente com a perna dominante contar quantas vezes a
criança consegue saltar. Quando eventualmente a criança perder o
equilíbrio troque de perna. No início a criança irá saltar por todo o
lado, mas com o tempo permanecerá mais ou menos na mesma área.
Habilidades com a Bola
Utilizar bolas de diferentes tamanhos para praticar atirar e apanhar.
Inicialmente distancie-se pouco da criança e pouco a pouco aumente a
distância. Motive a criança a observar o percurso da bola, isso ajuda a
perceber a distância e a velocidade. Com o tempo variar a velocidade da
bola assim como direcionar a bola mais para a esquerda ou para a
direita, mas sem informar a criança desse facto. Faça o mesmo
exercício,mas agora apenas com uma mão, iniciando com o braço dominante.
À medida que a criança se vai tornando mais confiante, poderá atirar a
bola contra a parede, dentro de uma área definida (um quadrado no
chão p.ex.).
Futebol
Chutar a bola em direcção à criança e motivá-la a fazer o mesmo. A
criança deve chutar primeiro com a perna dominante e depois com a outra,
para a direita e para a esquerda.
Atividades para Discalculia
Diferenças
Diferenças
Jogos de diferenças são importantes para quem possui discalculia pois desenvolve a concentração e atenção.
Exemplo:
Descobre as 8 diferenças entre as duas imagens:
Caracol
Desenhar no chão um caracol como o da ilustração abaixo, contendo os
números de 0 a 9. Posteriormente a criança deverá saltar para os números
que lhe serão solicitados. Para complexificar um pouco o exercício,
podem ser solicitados números com dois ou mais algarismos (Ex: 198.
Neste caso a criança deverá saltar primeiro para o numero 1,
seguidamente para o numero 9 e por fim, para o numero 8). Este jogo
promove o reconhecimento e identificação dos números, estimula a memória
e desenvolve a orientação espacial e percepção visual.
Tamanhos
Com objetos de vários tamanhos, pedir para os colocar por ordem
crescente e, posteriormente, decrescente. Esta atividade desenvolve a
orientação temporal; a noção de "alto e baixo", "pequeno e grande";
estimula a destreza manual; e desenvolve a atenção, concentração,
capacidade de categorização e organização.
Sudoku
O objetivo é preencher um quadrado 9x9 com
números de 1 a 9, sem repetir números em cada linha e cada coluna.
Também não se pode repetir números em cada quadrado de 3x3. Esta atividade desenvolver a estruturação espaço-tempo; promove o
raciocínio lógico; e desenvolve a atenção, concentração e percepção
visual.
Exemplo:
Segue o site a seguir para jogar sudoku online com diferentes níveis de dificuldade: http://sudoku.net.br/
Todos os exercício que envolvam números, contagem e concentração são recomendados para quem tem discalculia.
Atividades para Dislexia
Sopa de letras
Para estimular a concentração, atenção e reconhecimento das palavras/letras, a sopa de letras é um bom jogo.
Exemplo:
Encontra mais sopas de letras para fazeres no site a seguir: http://www.horavaga.net/jogo_145_1_sopa-de-letras.html
Anagrama
Forma uma palavra nova com as letras da palavra dada.
Pedra: ___________
Sapo: ____________
Papo: ____________
Vela: _____________
Rato: _____________
Cabo: _____________
Amor: _____________
Cabo: _____________ Soluções
Várias palavras
Escreve (diz) palavras que contenham a parte principal da palavra que é dada:
Exemplo:
Casa: casamento, casar, casal, casarão, casinha, casado
Atividade
Pesca: __________________________________________
Estalo: __________________________________________
Pensar: __________________________________________
Cantar: __________________________________________
Estrela: __________________________________________
Amar: ___________________________________________
Criar os seus jogos:
Criar jogos é uma excelente ferramenta para promover a aprendizagem. Siga as seguintes dicas:
- Investigue sobre dislexia – aprenda sobre os sinais e os pontos fracos e fortes acerca da dislexia;
- Crie letras em vários formatos e texturas e brinque com a construção de palavras;
- Reproduza jogos que encontre em catálogos educacionais. Alguns são bastante dispendiosos, mas facilmente reproduzíveis;
- Modifique jogos existentes para ir de encontro às necessidades do disléxico (especialmente um tipo de jogo que este aprecie);
- Partilhe ideias com outros pais, professores, e técnicos de forma a melhorar os seus jogos;
- Elabore o jogo em conjunto com o disléxico, ficará surpreendido com a criatividade.
Corrigir a "letra feia" - Disgrafia/Disortografia
O aperfeiçoamento da escrita tende a
compensar os défices na mesma, na medida em que se pretende melhorar os
factores funcionais que afectam o acto de escrever. Deste modo
apresentam-se alguns recursos e exercícios que poderão ser úteis neste
domínio.
Proporção das letras
O uso de pautas quadriculadas pode corrigir os transtornos de dimensão das letras. Deve-se dar à criança algumas orientações: as letras ascendentes ou descendentes ocupam três quadrados, as letras baixas apenas uma.
Proporção das letras
O uso de pautas quadriculadas pode corrigir os transtornos de dimensão das letras. Deve-se dar à criança algumas orientações: as letras ascendentes ou descendentes ocupam três quadrados, as letras baixas apenas uma.
Transtornos da inclinação
- Desenhar linhas paralelas.
- Desenhar ondas e linhas retas paralelas.
- Recortar tiras de papel paralelas.
- Numa folha de papel desenhar pontos em ambos os extremos que a criança deve unir. Realizar também atividades de escrita procurando terminar em locais adequados.
Transtornos de ligação entre entre letras
- Exercícios de repassar palavras e frases sem levantar o lápis.
- Pôr palavras com letras separadas para que a criança as una de forma correta.
Transtornos de Espaçamento
O
uso de pautas quadriculadas com o estabelecimento de deixar três
quadriculas entre as palavras pode ajudar na homogeneidade do
espaçamento.
Posição do corpo
Durante
a escrita, o corpo tem de permanecer paralelo à mesa evitando que se
forme um ângulo com esta, uma vez que isso obriga a rodar os ombros para
escrever. As costas devem estar apoiadas nas costas da cadeira e só a
zona dorsal formará um ligeiro ângulo com o bordo da mesa.
Posição do papel
À
medida que a criança cresce o papel vai-se separando da posição
vertical criando-se um ângulo cada vez maior entre a mesa e a posição do
papel. O ângulo de inclinação aumenta progressivamente ao longo dos
anos (nos adultos é de 30 º). Do mesmo modo, a criança tende a proximar o
papel em direção ao hemicorpo da mão que escreve. Determinadas
posturas provocam alterações no grafismo (ângulo inadequado, movimentos
persistentes). Convém realizar exercícios em que a criança possa
aprender a escrever com correcta inclinação. Um exemplo é fixar o papel
para impedir que a criança o mova durante a escrita.
Esta informação foi retirada de: http://omovimentodaescrita.blogspot.com/2010/05/metodo-antidisgrafico-exercicios-de.html
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Escola: 9 habilidades que seu filho aprende – muito além de ler e escrever
Aprender a escrever e a contar é só uma parte das habilidades que seu filho vai desenvolver na escola. É no dia a dia que a rica convivência com os colegas e os educadores irá colaborar na formação da personalidade dele desde o berçário
Dos primeiros dias no berçário à chegada ao ensino fundamental, a
escola traça uma série de expectativas de aprendizagem em eixos como
identidade e autonomia, linguagem oral e escrita, matemática, natureza e
sociedade, música e movimento. Isso é o que está no currículo e nas
primeiras conversas com a coordenadora pedagógica. Mas, no dia a dia –
ainda bem! –, acontece muito mais. Enquanto absorvem conteúdos formais,
as crianças desenvolvem saberes sociais preciosos com impactos pouco
palpáveis em notas ou avaliações de desempenho. Porém, farão toda a
diferença no modo de lidarem com o mundo. “Habilidades e competências
como respeitar o outro, saber ouvir, concentrar-se e dividir objetos e o
espaço ao redor têm relação direta com a alfabetização e todas as
aprendizagens posteriores”, diz Tania Zagury, filósofa, mestre em
Educação, autora deFilhos, Manual de Instruções (Ed. Record) e
colunista do site CRESCER. Ou seja, são ganhos, digamos, paralelos, que
vão influenciar inclusive nas aquisições de novos conhecimentos. Por
mais que seu filho tenha amigos no condomínio, no clube ou no parque, a
escola tem algo que outros lugares não têm: “A convivência com o mesmo
grupo e com uma frequência maior (são, no mínimo, 200 dias letivos), por
horas seguidas, realizando atividades diversas”, afirma Liamara
Montagner Salamani, coordenadora de educação infantil do Colégio Santo
Américo (SP). Sem dúvida alguma, serão mais do que aprendizados: cada
ensinamento vai se transformar em marcantes lembranças. Tanto para o seu
filho quanto para você. Assim como a transmissão do conteúdo, é
extremamente importante que essas lições também sejam acompanhadas bem
de perto pelos pais. Eis, a seguir, uma lista de nove habilidades que
seu filho vai aprender na sala de aula que não estão no currículo.
1 – Quem espera… tem que ser paciente
Essa é a primeiríssima coisa que um bebê ou uma criança pequena experimenta quando chega à escola, ao contrário do que acontece em casa, em que certamente não faltam candidatos para atendê-la ao primeiro chamado. “Por vezes, um bebê tem de ver o outro tomar mamadeira no colo enquanto ele mesmo também quer um colinho. Lida-se com uma porção de experiências boas e também com frustrações – como se fosse um mundo real em pequena escala”, diz Pnina Eva Friedlander, coordenadora do berçário e dos grupos integrados da Escola Carandá Vivavida (SP). O mesmo acontece, de cara, com brinquedos e afins: na maioria das vezes, o objeto desejado estará longe ou na posse de um colega e ele terá de ser paciente até chegar a vez dele, além de aprender a pedir com jeitinho, a agradecer…
Essa é a primeiríssima coisa que um bebê ou uma criança pequena experimenta quando chega à escola, ao contrário do que acontece em casa, em que certamente não faltam candidatos para atendê-la ao primeiro chamado. “Por vezes, um bebê tem de ver o outro tomar mamadeira no colo enquanto ele mesmo também quer um colinho. Lida-se com uma porção de experiências boas e também com frustrações – como se fosse um mundo real em pequena escala”, diz Pnina Eva Friedlander, coordenadora do berçário e dos grupos integrados da Escola Carandá Vivavida (SP). O mesmo acontece, de cara, com brinquedos e afins: na maioria das vezes, o objeto desejado estará longe ou na posse de um colega e ele terá de ser paciente até chegar a vez dele, além de aprender a pedir com jeitinho, a agradecer…
2 – Existem diversos tipos de carinho
A convivência com os professores e demais funcionários da escola revela para a criança uma relação diferente daquela que tem com pais, avós, irmãos, tios e primos. “Os profissionais da educação são afetivos e firmes. Nossa função é trabalhar com limites. A família, embora também faça isso, em geral é mais permissiva”, afirma Eliana de Barros Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP). Com o passar do tempo, as crianças vão se encantando por esse tratamento e pelos saberes diferentes dos professores e cuidadores e passam a se “apaixonar” por eles. Não raro, imitam o jeito de falar e brincar, provando quanto os gestos são observados e assimilados. Claro que o efeito será ainda melhor se os pais validarem e valorizarem o convívio.
A convivência com os professores e demais funcionários da escola revela para a criança uma relação diferente daquela que tem com pais, avós, irmãos, tios e primos. “Os profissionais da educação são afetivos e firmes. Nossa função é trabalhar com limites. A família, embora também faça isso, em geral é mais permissiva”, afirma Eliana de Barros Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP). Com o passar do tempo, as crianças vão se encantando por esse tratamento e pelos saberes diferentes dos professores e cuidadores e passam a se “apaixonar” por eles. Não raro, imitam o jeito de falar e brincar, provando quanto os gestos são observados e assimilados. Claro que o efeito será ainda melhor se os pais validarem e valorizarem o convívio.
3 – Ser flexível é preciso
Por mais que resista ou espere o lugar e momento ideais, seu filho vai acabar se entregando ao sono no meio do barulho. As sonecas vão acontecer com menos exigências, assim como a hora de comer. Ponto para a versatilidade: vai ser mais difícil a criança estranhar um almoço em um restaurante, um cochilo em um parque ou uma noite em um hotel. “Aqui, por exemplo, as crianças dormem em berços e em colchonetes no chão, lancham ora na mesa do refeitório, ora no banquinho do pátio ou até mesmo em piqueniques”, diz a pedagoga Pnina. Isso não quer dizer falta de rotina mas, sim, um jeito de treinar flexibilidade.
Por mais que resista ou espere o lugar e momento ideais, seu filho vai acabar se entregando ao sono no meio do barulho. As sonecas vão acontecer com menos exigências, assim como a hora de comer. Ponto para a versatilidade: vai ser mais difícil a criança estranhar um almoço em um restaurante, um cochilo em um parque ou uma noite em um hotel. “Aqui, por exemplo, as crianças dormem em berços e em colchonetes no chão, lancham ora na mesa do refeitório, ora no banquinho do pátio ou até mesmo em piqueniques”, diz a pedagoga Pnina. Isso não quer dizer falta de rotina mas, sim, um jeito de treinar flexibilidade.
4 – O diferente é normal
Desde o berçário, as crianças já assistem e vivem seus desenvolvimentos diferentes, embora tenham a mesma idade e possibilidades. Só que, para ela, as diferenças – seja por raça, cor, classe social, presença ou não de alguma deficiência, religião ou costumes familiares – não as impede que brinquem e aprendam juntas. “É a sociedade que marca o dito ‘diferente’, não a criança. Ela tem a tendência de ver e aceitar o outro como ele é. Por meio da observação, começará a assimilar modelos morais e éticos, o que faz da intervenção e da mediação do professor ações importantíssimas”, diz Liamara, do Santo Américo. E tudo está sob o olhar delas. Analisam não apenas a convivência entre as crianças, mas entre os funcionários e, claro, a relação da família com a escola. E quanto mais natural for, mais “normal” ela poderá encarar.
Desde o berçário, as crianças já assistem e vivem seus desenvolvimentos diferentes, embora tenham a mesma idade e possibilidades. Só que, para ela, as diferenças – seja por raça, cor, classe social, presença ou não de alguma deficiência, religião ou costumes familiares – não as impede que brinquem e aprendam juntas. “É a sociedade que marca o dito ‘diferente’, não a criança. Ela tem a tendência de ver e aceitar o outro como ele é. Por meio da observação, começará a assimilar modelos morais e éticos, o que faz da intervenção e da mediação do professor ações importantíssimas”, diz Liamara, do Santo Américo. E tudo está sob o olhar delas. Analisam não apenas a convivência entre as crianças, mas entre os funcionários e, claro, a relação da família com a escola. E quanto mais natural for, mais “normal” ela poderá encarar.
5 – Sem medo do novo
Cultivar hortas na escola tem sido uma ótima forma de colher hábitos saudáveis. Criança ama entender o “como se faz”. As formas são várias e que tal um canteiro em que as crianças não apenas vejam uma variedade de cores, formas e aromas, mas também se apegam à atividade como uma brincadeira? E, de quebra, vão experimentar algo novo sem muito alarde ou a “torcida” exagerada, mas em companhia dos amigos. “Tomar lanche e almoçar em grupo é muito positivo. Afinal, se o outro está comendo, experimentando algo novo ou trocando merenda, eu também vou querer!”, diz a filósofa Tania. “No momento em que estão descobrindo o mundo, é particularmente interessante promover atividades que envolvam pesquisa, ludicidade e linguagem. Isso acontece, sim, ao semear, plantar, observar o crescimento de um vegetal, colhê-lo e usá-lo para preparar uma receita”, diz Teresa D’Angelo Santos, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Vital Brasil (SP).
Cultivar hortas na escola tem sido uma ótima forma de colher hábitos saudáveis. Criança ama entender o “como se faz”. As formas são várias e que tal um canteiro em que as crianças não apenas vejam uma variedade de cores, formas e aromas, mas também se apegam à atividade como uma brincadeira? E, de quebra, vão experimentar algo novo sem muito alarde ou a “torcida” exagerada, mas em companhia dos amigos. “Tomar lanche e almoçar em grupo é muito positivo. Afinal, se o outro está comendo, experimentando algo novo ou trocando merenda, eu também vou querer!”, diz a filósofa Tania. “No momento em que estão descobrindo o mundo, é particularmente interessante promover atividades que envolvam pesquisa, ludicidade e linguagem. Isso acontece, sim, ao semear, plantar, observar o crescimento de um vegetal, colhê-lo e usá-lo para preparar uma receita”, diz Teresa D’Angelo Santos, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Vital Brasil (SP).
6 – Medalhas não importam
Na educação infantil, o ponto de partida de atividades e esportes coletivos é começar a trabalhar o conceito de compartilhar. “Se a criança não partilha sequer um objeto, não entenderá seu papel dentro de uma equipe”, diz Wallace Oliveira Marante, professor de Educação Física do Colégio Santa Maria (SP). Enquanto aprendem sobre tal papel, as turmas percebem que todos cumprem funções indispensáveis, ainda que só alguns marquem o gol no futebol. Recuperar a posse de bola, por exemplo, é tão importante quanto a finalização da jogada. “Outra questão que entra em cena é a de que o adversário é um parceiro sem o qual o jogo sequer aconteceria – não um rival a ser derrotado a todo preço”, explica Marante. Pode parecer óbvio, mas é fundamental a criança aprender os limites da competitividade (pense como anda difícil o trabalho em equipe no “mundos dos adultos”). E não para por aí: a cada final de jogo, é hora de refletir, com a ajuda do professor, sobre os motivos que levaram à vitoria ou à derrota, ir desenvolvendo um jeito de lidar com a frustração e aprender a traçar novas estratégias para oportunidades futuras.
Na educação infantil, o ponto de partida de atividades e esportes coletivos é começar a trabalhar o conceito de compartilhar. “Se a criança não partilha sequer um objeto, não entenderá seu papel dentro de uma equipe”, diz Wallace Oliveira Marante, professor de Educação Física do Colégio Santa Maria (SP). Enquanto aprendem sobre tal papel, as turmas percebem que todos cumprem funções indispensáveis, ainda que só alguns marquem o gol no futebol. Recuperar a posse de bola, por exemplo, é tão importante quanto a finalização da jogada. “Outra questão que entra em cena é a de que o adversário é um parceiro sem o qual o jogo sequer aconteceria – não um rival a ser derrotado a todo preço”, explica Marante. Pode parecer óbvio, mas é fundamental a criança aprender os limites da competitividade (pense como anda difícil o trabalho em equipe no “mundos dos adultos”). E não para por aí: a cada final de jogo, é hora de refletir, com a ajuda do professor, sobre os motivos que levaram à vitoria ou à derrota, ir desenvolvendo um jeito de lidar com a frustração e aprender a traçar novas estratégias para oportunidades futuras.
7 – Brincadeira tem limite
Basta ser um grupo de crianças para a coisa sair do controle vez ou outra. Isso não tem o menor problema, mas se um tapa ou uma ofensa escapar, as consequências chegam em seguida. Depois de uma briga ou discussão, o primeiro reflexo é colocar a culpa no outro, e aí é hora de intervir. A mediação do professor pode demonstrar algo complicado de se ensinar, mas gostoso de se viver: a compaixão. Com o manjado – mas sempre infalível – exercício de se colocar no lugar do colega, a criança começa a perceber as implicações de seus gestos. “Ajuda a entender que a brincadeira existe somente enquanto todo mundo se diverte. Se alguém sai machucado ou triste, dependendo da intensidade da mãozinha no corpo do outro ou da força das palavras, é hora de parar e conversar”, diz Teresa Santos.
Basta ser um grupo de crianças para a coisa sair do controle vez ou outra. Isso não tem o menor problema, mas se um tapa ou uma ofensa escapar, as consequências chegam em seguida. Depois de uma briga ou discussão, o primeiro reflexo é colocar a culpa no outro, e aí é hora de intervir. A mediação do professor pode demonstrar algo complicado de se ensinar, mas gostoso de se viver: a compaixão. Com o manjado – mas sempre infalível – exercício de se colocar no lugar do colega, a criança começa a perceber as implicações de seus gestos. “Ajuda a entender que a brincadeira existe somente enquanto todo mundo se diverte. Se alguém sai machucado ou triste, dependendo da intensidade da mãozinha no corpo do outro ou da força das palavras, é hora de parar e conversar”, diz Teresa Santos.
8 – Dois ouvidos, uma boca
Criança ama contar histórias, principalmente às segundas-feiras para os professores. Difícil é contê-las todas querendo falar ao mesmo tempo. E isso é excelente! Tecer uma narrativa a um amigo ou professor, contando algo que se viveu, pensou, sonhou ou sentiu faz parte do desenvolvimento humano e é um passo enorme para entender o outro e se fazer ouvir. “Esse é um dispositivo que as crianças têm – e nós, adultos, também, apesar de esquecermos de vez em quando – para organizar o meio em que vivem e lidar com seus fantasmas”, diz Giuliano Tierno, educador e especialista em contação de histórias. Ao nomear e escutar experiências e dar sentido a elas, a criança percebe que as vivências (mesmo as ruins, como os medos) não são exclusivamente dela.
Criança ama contar histórias, principalmente às segundas-feiras para os professores. Difícil é contê-las todas querendo falar ao mesmo tempo. E isso é excelente! Tecer uma narrativa a um amigo ou professor, contando algo que se viveu, pensou, sonhou ou sentiu faz parte do desenvolvimento humano e é um passo enorme para entender o outro e se fazer ouvir. “Esse é um dispositivo que as crianças têm – e nós, adultos, também, apesar de esquecermos de vez em quando – para organizar o meio em que vivem e lidar com seus fantasmas”, diz Giuliano Tierno, educador e especialista em contação de histórias. Ao nomear e escutar experiências e dar sentido a elas, a criança percebe que as vivências (mesmo as ruins, como os medos) não são exclusivamente dela.
9 – Somos todos um só
No cuidado com si mesma, com o outro e com o ambiente ao redor, a criança começa a demonstrar preocupações singelas, mas carregadas de intencionalidade. “Se um amigo cai e rala o joelho, o outro corre a perguntar: ‘Quer ajuda para por gelo?’”, conta Silvana Pinheiro, professora do Colégio AB Sabin (SP). Oferecer um pedaço do lanche, tomar partido diante de uma injustiça ou simplesmente dar um abraço são pequenas gentilezas que só aparecem no dia a dia, sem planejamento da escola ou desejo dos pais. “De 1 ano e meio a 2, a criança começa a demonstrar aquilo que chamamos, no homem, de ‘sentido gregário de vida’, que está relacionado à capacidade de pertencer a um grupo. Então, ela vê outro bebê passeando e começa a interagir, como se dissesse: ‘Opa, esse é dos meus!’. E entre as grandes aprendizagens da fase da educação infantil estão justamente a alegria e a vontade de permanecer junto de forma prazerosa e civilizada”, diz a filósofa Tânia. Quer um motivo melhor que esse?
No cuidado com si mesma, com o outro e com o ambiente ao redor, a criança começa a demonstrar preocupações singelas, mas carregadas de intencionalidade. “Se um amigo cai e rala o joelho, o outro corre a perguntar: ‘Quer ajuda para por gelo?’”, conta Silvana Pinheiro, professora do Colégio AB Sabin (SP). Oferecer um pedaço do lanche, tomar partido diante de uma injustiça ou simplesmente dar um abraço são pequenas gentilezas que só aparecem no dia a dia, sem planejamento da escola ou desejo dos pais. “De 1 ano e meio a 2, a criança começa a demonstrar aquilo que chamamos, no homem, de ‘sentido gregário de vida’, que está relacionado à capacidade de pertencer a um grupo. Então, ela vê outro bebê passeando e começa a interagir, como se dissesse: ‘Opa, esse é dos meus!’. E entre as grandes aprendizagens da fase da educação infantil estão justamente a alegria e a vontade de permanecer junto de forma prazerosa e civilizada”, diz a filósofa Tânia. Quer um motivo melhor que esse?
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